Celso Júnior/AE
Celso Júnior/AE

Retrospectiva 2011: Maio teve 'gente diferenciada' e morte na USP

Marrone sofreu acidente de helicóptero e o Distrito Federal teve uma de suas maiores tragédias

Estadão.com.br,

21 de dezembro de 2011 | 20h01

SÃO PAULO - Maio foi um mês de protestos por causa do metrô em São Paulo, um dos piores acidentes do Distrito Federal e o início da crise por policiamento na USP. O mês começou com envolvimento do cantor Marrone, da dupla sertaneja Bruno & Marrone, em um acidente de helicóptero em São José do Rio Preto.

Segundo a assessoria do músico, Marrone viajava para São Paulo para visitar a filha recém-nascida. Ele teria comprado o aparelho porque tem medo de avião.

Além de Marrone, estavam na aeronave o piloto Almir Carlos Bezerra, que teve parte da perna amputada, e o primo e assessor do cantor, Jardel Alves Borges, que ficou internado por vários dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital de Base.

Em setembro o Ministério Público pediu a reabertura do caso. O promotor Fábio Luíz Mikulin pediu novas investigações porque entendeu que o inquérito não apontou o motivo da queda e não identificou quem estava pilotando o aparelho quando caiu no parque de exposições da cidade, depois de ser reabastecido no aeroporto Eribelto Manoel Reino, em Rio Preto.

Gente diferenciada. Foi na rede de computadores que em maio os internautas manifestaram sua indignação quanto à desaprovação, por parte dos moradores do bairro de Higienópolis, da instalação de uma estação do Metrô na região, conhecida como elitista.

Desde 2010, um abaixoassinados intitulado Defenda Higienópolis reúne assinaturas na internet contra a construção da estação no local, entre a Avenida Angélica e Rua Sergipe.

 

 

O texto do abaixoassinados argumenta que um possível crescimento do fluxo de pessoas trazido pela nova estação geraria "um aumento de ocorrências indesejáveis, afetando a qualidade de vida dos moradores que estão acostumados a andar a pé." Além disso, afirma que a obra poderia provocar um "aumento natural do comércio ambulante e, pelo tamanho previsto da Estação Angélica, pode virar um camelódromo e degradar o entorno."

Porém o que essa manifestação foi, em parte, motivada pela declaração de uma moradora que temia a presença de "gente diferenciada" no bairro após a chegada do metrô.

No Facebook, foi organizada a seguinte manifestação: "churrasco diferenciado em frente ao Shopping Higienópolis" para mostrar que "ricos não chegam aos pobres, mas pobres, sim, facilmente chegam aos ricos". Mais de 50.000 pessoas chegaram a confirmar presença. O anúncio do evento prometia levar "farofa, carne de gato, cachorro, papagaio e som" para a Avenida Higienópolis.

A manifestação acabou por reunir apenas 150 pessoas em frente ao Shopping Pátio Higienópolis, segundo informações da Polícia Militar.

Estudante. Após tentar fugir de um assalto, o estudante de 4º ano de Ciências Atuariais Felipe Ramos de Paiva, de 24 anos, foi assassinado no estacionamento da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da Universidade de São Paulo (USP), na Cidade Universitária.

Em carta aberta, os estudantes manifestaram sua profunda tristeza pela morte de Felipe e solicitaram mais segurança nos campus da USP. "Os casos de violência na USP, como sabemos, têm se tornado uma triste constante. Nos últimos meses, sequestros, assaltos e furtos passaram a preocupar alunos, professores e funcionários. A perda de nosso colega estudante, portanto, escancara de maneira lamentável a necessidade de se debater a segurança no cotidiano universitário."

Meses depois, já com a presença de policiais militares por todo o campus da USP, esses mesmos estudantes que pediam reforço na segurança ocuparam o prédio da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) e dias depois a Reitoria da Universidade. O motivo da manifestação, dessa vez, estaria ligado a forma como os estudantes estavam sendo abordados pelos policiais.

As manifestações contra a presença ostensiva da PM na Cidade Universitária começaram com um flagrante de maconha feito por policiais em 27 de outubro, quando três estudantes de Geografia foram pegos com a droga no carro.

Preso. "É chegado o momento de cumprir a pena", afirmou o ministro Celso de Mello, relator do caso Pimenta Neves, no Supremo. Foi em Maio que os policiais da Divisão de Captura da Polícia Civil de São Paulo chegaram à residência do jornalista Antonio Marcos Pimenta Neves para cumprir a prisão determinada do Supremo Tribunal Federal (STF).

A defesa de Pimenta Neves, acusado pelo assassinato da também jornalista Sandra Gomide, sua ex-namorada, ocorrido em agosto de 2000, valeu-se de todos os recursos possíveis para contestar a sua condenação.

O ministro Gilmar Mendes chegou a dizer que o caso Pimenta Neves é "emblemático."

Naufrágio. Foi no final do mês de maio que o Distrito Federal registrou uma de suas maiores tragédias. O barco Imagination afundou no Lago Paranoá, uma hora depois de ter zarpado de um clube.

A embarcação teria capacidade máxima para somente 80 pessoas, mas no momento do naufrágio, 122 passageiros estavam a bordo, nove delas acabaram morrendo.

Três meses após o naufrágio, o comandante da embarcação, Airton Carvalho, e o dono, Marlon José Almeida, foram indiciados por homicídio culposo.

Mais conteúdo sobre:
retro2011Cidadesmaio

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.