Réu confesso na internet

Em blog, Cabo Júlio cita máfia dos sanguessugas e lamenta ter deixado corrupção invadir sua alma

Eduardo Kattah, O Estado de S.Paulo

13 de abril de 2010 | 00h00

Condenado em primeira instância por envolvimento com a Máfia dos Sanguessugas, o vereador e ex-deputado federal Cabo Júlio (PMDB) decidiu confessar a participação no esquema criminoso por meio de uma carta de "desabafo" postada em seu blog. Após ser internado com fortes dores abdominais, o vereador da Câmara Municipal de Belo Horizonte publicou no último dia 7 o texto intitulado "Pensei que fosse morrer de tanta dor", no qual afirma em letras garrafais que errou e permitiu que a corrupção invadisse sua alma.

"A máfia das ambulâncias foi um dos piores momentos da minha vida política; um momento de muita crueldade com a minha família. Não culpo ninguém, a culpa foi exclusivamente minha. Mas me negaram o direito de mostrar o meu lado da história. Eu errei, eu permiti que a corrupção e o erro invadisse (sic) minha alma", disse o ex-deputado, que é evangélico.

Em agosto do ano passado, a 7.ª Vara da Justiça Federal em Belo Horizonte condenou Cabo Júlio a devolver a quantia de R$ 143 mil "indevidamente acrescida ao seu patrimônio" e a pagar multa correspondente a três vezes o valor.

A decisão judicial, segundo o Ministério Público Federal, foi a primeira vitória em Minas contra a Máfia dos Sanguessugas - esquema de fraudes em licitações e apropriação de dinheiro público na compra de ambulâncias e de equipamentos hospitalares.

Cabo Júlio questiona o fato de ter sido o único já condenado entre os 84 parlamentares investigados por participação nos desvios de recursos. "Será que sou pior do que todos os outros 83?, perguntou. "Não fui e não sou inocente. Deus sabe que não sou. Mas também não errei o tanto que me acusaram de errar."

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