Wilton Júnior/Estadão Conteúdo
Wilton Júnior/Estadão Conteúdo

Reunião entre familiares de PMs e governo do ES termina sem acordo

Motim chega, nesta sexta, ao sétimo dia de duração, em meio ao temor da população e reforço na atuação das tropas federais no território capixaba

Márcio Dolzan, Enviado especial de O Estado de S. Paulo

10 Fevereiro 2017 | 01h27

VITÓRIA - Após mais de dez horas de reunião, terminou sem acordo a negociação entre mulheres de policiais militares e governo do Espírito Santo. Com isso, o motim de PMs irá para o sétimo dia nesta sexta-feira. O encontro foi realizado no Palácio Fonte Grande, uma das sedes do governo capixaba, em Vitória, e terminou após a 1h25.

No fim do encontro, mulheres representantes dos PMs saíram revoltadas. Elas afirmaram que o governo não sinalizou nenhum tipo de reajuste. O pedido dos policiais é reposição salarial de pelo menos 43%. PMs à paisana do lado de fora do prédio chamaram o governador Paulo Hartung, que está licenciado, de "bandido". Um dos PMs disse que a categoria fará aquartelamento.

O governo estadual se demonstra irredutível. A alegação é de que o aumento pretendido pela categoria representaria um custo adicional de R$ 500 milhões nos gastos com pessoal, que levaria a um rombo nos cofres do Estado. Segundo o governo, o Executivo já ultrapassou o limite de alerta de despesas com pessoal (44,1% da Receita Corrente Líquida) estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).

O alegado impacto nos cofres públicos levou o governador licenciado do Estado, Paulo Hartung, afirmar na quarta-feira que o motim era uma "chantagem" e comparou o ato com um sequestro, dizendo que aceitar as exigências "seria como pagar um resgate".

Os policiais militares estão paralisados desde sábado. O motim levou o caos ao Espírito Santo, que desde então registrou 113 homicídios e uma onda de saques e roubos. As aulas foram suspensas e o transporte público, quando funciona, é apenas de forma parcial.

ENTENDA A CRISE NO ESPÍRITO SANTO

Familiares e amigos de policiais militares no Espírito Santo começaram, na noite de sexta-feira, 3, a fazer manifestações impedindo a saída das viaturas para as ruas e afetando a segurança dos municípios.  Sem reajuste há quatro anos, os PMs reivindicam aumento salarial e melhores condições de trabalho.

O motim dos policiais levou a uma onda de homicídios e ataques a lojas. Com medo, a população passou a evitar sair de casa e donos de estabelecimentos fecharam as portas. Os capixabas já estocam comida

Na segunda-feira, 6, a prefeitura de Vitória suspendeu o funcionamento das escolas municipais e de  unidades de saúde. 

Também na segunda, o governo federal autorizou o envio da Força Nacional e das Forças Armadas para reforçar o policiamento nas ruas de cidades do Espírito Santo. Apesar do reforço, o clima de tensão se manteve no Estado. 

A morte de um policial civil na noite de terça-feira, 7, motivou uma paralisação da categoria na quarta, agravando ainda mais a crise de segurança no Espírito Santo.

Para tentar conter o motim, o governo criou na quarta-feira, 8, um comitê de negociação com representantes do movimento que impede a saída de policiais militares dos batalhões das principais cidades do Estado.

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