Réus são absolvidos por morte em jogo de RPG

Para promotora, falhas na perícia do assassinato de jovem em Ouro Preto beneficiaram os quatro acusados, que alegam inocência

Ivana Moreira, BELO HORIZONTE, O Estadao de S.Paulo

06 Julho 2009 | 00h00

O julgamento mais longo e polêmico dos últimos 30 anos em Ouro Preto acabou ontem com a absolvição dos quatro acusados pelo assassinato de Aline Silveira Soares, em outubro de 2001. Foram mais de 40 horas até que a sentença fosse divulgada, por volta das 5 horas de ontem. Os jurados concluíram que os réus "não concorreram, de qualquer forma, para a prática do crime". Camila Silveira, Edson Aguiar, Cassiano Garcia e Maicon Lopes eram amigos de Aline. Camila era mais que amiga, era prima da vítima. Aline foi encontrada na manhã do dia 14 de outubro de 2001, seminua, sobre um túmulo do Cemitério da Igreja de Nossa Senhora das Mercês e Misericórdia, com os braços abertos e os pés sobrepostos, em posição de crucificação. Foram identificadas 17 facadas em diferentes partes do corpo. De acordo com a denúncia do Ministério Público Estadual, a motivação do crime estava relacionada a um jogo de Role Playing Game (RPG), onde cada participante assume personagens do bem e do mal. Os jovens teriam levado o jogo às últimas consequências, na versão do MPE. Os quatro acusados alegaram inocência nos depoimentos. E voltaram a alegar inocência durante o julgamento, criticando o trabalho da Polícia Civil. A promotora Luzia Helena Fonseca argumentou que os réus não conseguiram apresentar álibis convincentes. Mas o que levou à absolvição foram falhas na investigação. O Código Penal determina que a acusação apresente o fato criminoso com todas as suas circunstâncias. Os advogados de defesa alegaram que, em nenhum momento do julgamento, o MPE conseguiu apresentar tais elementos. Cabe recurso contra a sentença. "Houve falhas na perícia. Agora, resta procurar o responsável", declarou a promotora. Os quatro acusados comemoram a sentença e rezaram juntos depois que ela foi lida. Durante seus depoimentos, todos eles cobraram que o verdadeiro assassino fosse encontrado. Eles procuraram deixar claro que também eram vítimas no episódio, porque tiveram as vidas destruídas depois de terem sido apontados como os supostos autores do assassinato de Aline. Camila Silveira reforçou a informação de que sua prima havia "ficado" com um rapaz chamado Fabrício, que ela não conhecia bem, e reclamou da falta de interesse dos policiais para encontrá-lo na época do crime.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.