Reverso pinado, só com aval da Airbus

TAM confirmou que não permite mais vôos com o aparelho travado

Bruno Tavares e Luciana Nunes Leal, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2003 | 00h00

Depois do acidente do Airbus A320, a TAM mudou o procedimento para vôos com reverso (sistema de freio aerodinâmico localizado nas turbinas) travado. Como antecipou o Estado, os aviões que tiverem defeito no reverso não serão mais autorizados a voar, a não ser com aval da fabricante. A decisão foi tomada esta semana, em reunião informal entre representantes da TAM e do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa).Antes do acidente, em caso de defeito, o reverso era travado (pinado, no jargão do setor) e os aviões podiam operar por até dez dias. Só então a empresa deveria providenciar o conserto. Segundo o presidente da TAM, Marco Antônio Bologna, em depoimento à CPI do Apagão Aéreo da Câmara, a medida foi tomada por precaução, enquanto durarem as investigações da tragédia com o vôo 3054.Dois dias após o acidente, Bologna alegou que o reverso estava travado seguindo orientação do manual da fabricante Airbus. Nos dias que se seguiram, executivos da empresa afirmavam que não houve alterações nos procedimentos. A TAM hesitou em admitir a mudança por temer se indispor com a Airbus, segundo fontes do setor aéreo ouvidas pelo Estado.Bologna afirmou ainda que se o grooving (ranhuras) da pista do Aeroporto de Congonhas já tivesse sido feito seria mais fácil aterrissar.O deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) perguntou como a TAM agiria, daqui para a frente, no caso de um avião apresentar defeito no reverso. Bologna respondeu: ''''Se for o caso, não voará.'''' Depois, esclareceu que a decisão dependeria de uma ''''consulta ao fabricante''''.Ele informou que hoje nenhuma aeronave da TAM voa com reverso pinado e já antes do acidente o porcentual de aviões com o problema era baixo. O vice-presidente técnico da TAM, Ruy Amparo, disse que, no caso de defeito no reverso, ''''neste momento, a orientação à manutenção é consultar o fabricante e tomar a posição correta''''.À CPI, Bologna e Amparo, reconheceram que a TAM não segue todas as recomendações da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para pousos em pista molhada e os pilotos usam um manual com regras da agência reguladora e do fabricante. ''''Não é a recomendação que vai para dentro de bordo. Dentro de bordo o manual é a bíblia'''', disse Bologna.Os deputados referiam-se ao Regimento Brasileiro de Homologação Aeronáutica 121-189, de 31 de janeiro, que fixa regras para pouso em pista molhada. Uma é: ''''Após o toque (em solo), confirmar a abertura dos ground spoilers (mecanismos de freio na extremidade das asas) e usar o máximo reverso assim que possível.'''' Apenas o reverso esquerdo estava funcionando no Airbus da TAM. O direito, com defeito, estava travado.O presidente da TAM informou que a empresa tem seguro de US$ 1,5 bilhão, que será usado em boa parte para indenizar as famílias das vítimas.O presidente da Anac, Milton Zuanazzi, em depoimento à CPI do Senado, repetiu o argumento de Bologna de que a recomendação pode não ser cumprida pelas empresas, desde que a segurança dos vôos seja garantida.

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