Revistas semanais não trazem fatos novos de peso eleitoral

A praticamente uma semana do segundo turno das eleições presidenciais, as revistas semanais não trouxeram, neste sábado, fatos novos bombásticos que possam alterar significativamente o quadro eleitoral ou sejam capazes de produzir efeitos mais fortes no mercado financeiro a partir da segunda-feira. Na última sexta-feira, dia 20, o mercado chegou a adicionar uma dose de cautela aos negócios como margem de segurança ante o que poderia ser publicado pelas revistas em relação às investigações do dossiê Vedoin.De forma geral, a mídia de notícias (jornais, revistas e sites na Internet) destaca neste sábado que o secretário particular do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Gilberto Carvalho, falou por telefone com o ex-chefe do núcleo de risco e mídia da campanha pela reeleição de Lula, Jorge Lorenzetti, por duas vezes, no dia 15 de setembro, data da prisão dos dois petistas envolvidos com a tentativa de compra do dossiê - Gedimar Pereira Passos e Valdebran Carlos Padilha da Silva. Carvalho confirmou: disse que, tendo sido informado, pela manhã, da prisão de dois petistas, ligou para Lorenzetti para saber o que estava acontecendo. Na sexta-feira, a Polícia Federal revelara que a "pessoa conhecida" mencionada na véspera pelo superintendente da PF em Mato Grosso, Daniel Lorenz, no cruzamento dos dados telefônicos obtidos nas investigações do dossiê, era o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu. Este, por sua vez, negou qualquer participação no caso do dossiê, assim como participação na campanha majoritária em São Paulo ou na campanha nacional. Seu advogado, José Luis Oliveira Lima, confirmou que Dirceu conversou por telefone com Lorenzetti, mas ressaltou que o diálogo entre ambos foi curto, "cerca de dois minutos", e não abordou o dossiê Vedoin. O advogado disse que Dirceu foi procurado por Lorenzetti em seu telefone fixo e retornou três horas depois.A revista Veja traz, como reportagem de capa, um extenso detalhamento das atividades profissionais do empresário Fábio Luís Lula da Silva, o "Lulinha", filho do presidente Lula, focado na venda, por R$ 5,2 milhões, de parte de sua produtora Gamecorp à Telemar, maior empresa de telefonia do País, da qual tornou-se sócio. O assunto não é novo. A própria Veja lembra que fez reportagem sobre a associação entre Gamecorp e a Telemar em julho do ano passado. A revista sugere que Lulinha, associado a Kalil Bittar (filho do ex-prefeito de Campinas Jacó Bittar e amigo do presidente Lula), facilitou o acesso da Telemar ao governo, assim como ajudou na proximidade de outros empresários (como Arlette Siaretta, dona do conglomerado Casablanca, produtora de filmes, comerciais e eventos). A Veja afirma que Lulinha e Kalil Bittar têm estreita ligação com o lobista Alexandre Paes dos Santos, conhecido por APS, que responde a inquéritos na Polícia Federal por suspeitas de corrupção e tráfico de influência, a ponto de ambos terem trabalhado em salas cedidas no escritório dele, montado numa mansão no Lago Sul, em Brasília.Época e IstoÉ As semanais Época e IstoÉ tratam da importância e do prestígio que o governador eleito da Bahia, Jaques Wagner, do PT, ganha no novo cenário político, após a ruptura e as denúncias que envolveram o partido. Figura em ascensão, segundo a Época, ele seria o encarregado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva de pacificar o PT. A idéia seria que Lula pudesse retomar o controle do grupo e evitar uma antecipação da corrida pela sucessão de 2010.Nenhuma das duas revistas aborda temas políticos na capa desta semana. Época, cuja chamada é a beleza brasileira, deixa a cobertura da campanha eleitoral para o interior desta edição. Em sua principal reportagem sobre a disputa, tenta diagnosticar por que o candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, derrapa no fim da corrida presidencial. A IstoÉ, em sua publicação comemorativa de 30 anos, aponta a maturidade do País e ressalta que qualquer que seja o escolhido no pleito terá de colocar o Brasil na rota do crescimento e realizar reformas importantes. Além disso, apresenta uma comparação entre as propostas econômicas dos dois candidatos, Lula e Alckmin.

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