Revitalizada, avenida da zona norte atrai atletas e baladeiros

A Engenheiro Caetano Álvares virou ponto de encontro, com pista de caminhada e bares

Mônica Cardoso, O Estadao de S.Paulo

17 de março de 2009 | 00h00

Quem passa pela Avenida Engenheiro Caetano Álvares, na zona norte de São Paulo, percebeu a diferença. A revitalização da via, terminada em fevereiro, incluiu uma pista de caminhada de 2,2 quilômetros no canteiro central, quatro áreas com equipamentos de ginástica e 30 árvores. O resultado é o aumento de pessoas que caminham ou correm na pista. Com o calor dos últimos dias, o local fica cheio até o comecinho da noite, já que novos postes de iluminação foram instalados.A revitalização durou um ano e consumiu R$ 400 mil. "É um investimento baixo à medida que permite que a comunidade se aproprie do espaço público", diz o subprefeito de Santana-Tucuruvi, Hélio Rubens Gonçalves Figueiredo. Três empresas da região assinaram um termo de cooperação com a subprefeitura, se responsabilizando pela limpeza e conservação das áreas. Os moradores da região aprovaram a mudança, que trouxe também mais segurança. Antes, a caminhada era feita nas pistas da avenida, perto dos carros. "Já vi muito acidente aqui", conta a empresária Roberta José de Paula, de 36 anos, que mora no Lausanne Paulista.O músico Márcio Carvalho Barreiros, de 58 anos, leva a neta de 9 anos para andar de bicicleta e também aproveita para fazer exercícios nos equipamentos de ginástica. "No começo da manhã e no finzinho da tarde, a pista fica cheia", conta ele, que mora no Jardim Santa Terezinha. Quem também elogia a revitalização da avenida é a pedagoga Anelise Rodrigues Emílio, de 47 anos, que costuma caminhar de manhã. "Melhorou bastante. Antes, só tinha mato, nem dava para pensar em andar aqui", conta a moradora do Mandaqui. Os frequentadores fazem uma ressalva: não há uma só lixeira em toda a extensão da pista. É comum ver garrafinhas de água jogadas na grama. "Além das lixeiras, é preciso fazer uma manutenção periódica, com limpeza e corte da grama", observa Anelise. MUDANÇA DE PERFILA revitalização não trouxe benefícios apenas para os moradores. Os comerciantes elogiam as mudanças. "Muitas pessoas vêm caminhar, dão uma espiadinha no bar e voltam para conhecer a casa. Além de tirar aquela cara de abandono na avenida, a revitalização ajuda a aumentar o movimento", diz Kiara Hernandes Bonini, proprietária do Auá Bar, aberto em outubro. Nos últimos dois anos, lojas de veículos e acessórios automotivos deram lugar a bares - já são 12, próximos uns dos outros. Um dos primeiros a chegar foi o Caetano?s Bar, uma homenagem à avenida, aberto em 2005. Na época, o Bar do Luiz reinava sozinho. "Era uma avenida degradada. Abrimos o bar com comida boa e muita gente começou a vir. No começo, eram apenas moradores da região e hoje recebemos clientes de toda a cidade", diz um dos proprietários, Vilso Darga. "Isso mostra que, quando os empresários têm coragem de investir, é possível despertar o interesse do poder público", diz.Segundo ele, a revitalização era uma reivindicação antiga de moradores e comerciantes, que vinha da época da canalização do Córrego do Mandaqui, nos anos 80. Com o sucesso do empreendimento, Darga e seus irmãos abriram mais dois bares na Engenheiro: o Villa Caetano e o Santa Cana, ambos inaugurados em 2007. A maioria dos bares aposta na dupla chope e porções generosas. Mas os novos estabelecimentos investem em decoração caprichada e música ao vivo, do pop rock ao pagode e até jazz.Os proprietários acreditam que a Caetano Álvares ainda tem muito potencial para crescer. O modelo é a Avenida Luís Dumont Villares, outra via badalada da região. "E não apenas da zona da norte, mas de toda a cidade", arrisca Marcos Aurélio de Oliveira, de 47 anos, proprietário do Mercearia Seu Antonio, mais um point da avenida, aberto em fevereiro de 2008.

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