Alessandra Tarantino/AFP
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'Rezo para que não haja um cisma, mas não tenho medo', diz papa

Por causa de suas ideias e posicionamentos, Francisco tem sido alvo de ataques de setores conservadores da Igreja Católica

Redação, O Estado de S.Paulo

11 de setembro de 2019 | 08h11
Atualizado 12 de setembro de 2019 | 01h31

MAPUTO - O papa Francisco afirmou nesta terça-feira, 10, que “reza para que não haja um cisma” na Igreja Católica, mas que não teme que ocorra algum, após ser indagado sobre os ataques de uma parcela da congregação nos Estados Unidos contra o papado. Consequentemente, acredita que pode haver uma ruptura.

Francisco concedeu uma entrevista coletiva durante a viagem de volta ao Vaticano, após visitar Moçambique, Madagáscar e Ilhas Maurício. No voo de ida, porém, o papa já havia considerado que as críticas por parte dos setores conservadores americanos eram “uma honra”.

“Antes de qualquer coisa, as críticas sempre ajudam. Quando alguém recebe uma crítica, deve fazer uma autocrítica e dizer (se) isso é verdade ou não. Às vezes elas te irritam, mas sempre têm vantagens”, esclareceu. Francisco foi criticado por alguns bispos e uma parcela do setor conservador da Igreja por ideias expressadas em seus documentos - algumas classificadas como heresias.

O pontífice garantiu que essas críticas não chegam apenas dos conservadores americanos, mas de todos os lados, até mesmo da própria Cúria. “Pelo menos, aqueles que dizem isso têm a vantagem da honestidade. Eu não gosto quando criticam pelas costas, quando as pessoas te sorriem e depois te cravam o punhal por trás. Isso não é leal, não é humano.”

O papa disse também que esses ataques “chegam de pequenos grupos fechados que não querem escutar a resposta”. Para o pontífice, o fato de que alguns setores escrevam artigos sobre o que não gostam e peçam uma resposta é algo leal e significa amar a Igreja, mas, na sua visão, “fazer uma crítica sem diálogo e sem querer uma resposta é não amar a Igreja e permanecer com ideia fixa”.

Francisco enfatizou ainda que seus pensamentos sociais são os mesmos de João Paulo II. “Mas me dizem que sou um pouco comunista”, afirmou, destacando ainda que “o caminho do cisma não é cristão”./EFE

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