Ribeirão: catadores de lixo ganham oportunidade

A prefeitura de Ribeirão Preto, a 310 quilômetros de São Paulo, retirou, ontem , cerca de 150 pessoas que trabalhavam no aterro sanitário da cidade, recolhendo restos de lixo, aproveitando alguns alimentos (muitos deles vencidos) e vendendo o que era possível. Os adultos serão contratados pelo Departamento de Água e Esgoto de Ribeirão Preto (Daerp), para trabalhar na Usina de Reciclagem de Lixo do município, recebendo um salário de R$ 200,00 e uma cesta básica cada um.Os adolescentes e crianças, que ajudavam ou não os pais no serviço, vão para a escola e serão encaminhados à programas específicos. "Acredito que essa iniciativa pode solucionar o problema, mas isso não se resolve da noite para o dia", comenta a superintendente do Daerp, Isabel Bordini. Segundo ela, a empresa responsável pelo aterro sanitário, a Leão Leão, tem de garantir que fará a segurança do local, impedindo que as mesmas ou outras pessoas voltem ao lixão. No ano passado, a administração anterior tentou fazer algo parecido, encaminhando as famílias aos programas sociais da prefeitura. Mas, por causa do pouco retorno financeiro, elas voltaram ao aterro sanitário. Para que a iniciativa dê certo, Isabel destacou a importância da ampliação da coleta seletiva de lixo na cidade, que, atualmente, é de aproximadamente 10%. "Precisamos reativar esse trabalho, aos poucos", disse ela.Pelo acordo firmado com homens e mulheres que estavam no aterro sanitário, correndo risco de doenças, todos serão contratados pela usina para fazer a triagem da coleta seletiva. Eles serão divididos em dois turnos, de seis horas cada, separando papelões, plásticos, vidros e latas, entre outros objetos. O contrato será de seis meses, com possibilidade de renovação para outros seis meses. As despesas serão pagas pelo Daerp. "Durante esse período, todos serão preparados para montar uma cooperativa", informou Isabel, que está convidando pessoas de cooperativas para dar assessoria técnica ao grupo. A intenção é que eles tenham autonomia após o período de passagem pela usina de reciclagem. Dos cerca de 200 adolescentes e crianças catalogados pelo Daerp, aproximadamente 30 trabalhavam diretamente no lixo. As crianças serão encaminhadas ao Ribeirão Criança, com atividades recreativas e educacionais, enquanto os adolescentes vão para o Ribeirão Jovem, que têm cursos profissionalizantes. A família de cada um receberá o auxílio de uma bolsa-escola.

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