Ribeirão confirma segunda morte por hantavirose

Os dois primeiros casos de morte por hantavirose - doença transmitida pela urina do rato, cujo vírus (hantavírus) causa hemorragia no sistema respiratória por aspiração - no Estado de São Paulo neste ano, foram confirmados em Ribeirão Preto, segundo a Direção Regional de Saúde (DIR). As duas vítimas eram trabalhadores rurais. Inicialmente, os casos foram registrados como dengue hemorrágica, pois os sintomas são parecidos no começo, mas os exames laboratoriais confirmaram as mortes por hantavirose. As secretarias de Saúde dos municípios já estão se mobilizando e aguardam a captura de roedores silvestres nos próximos dias por técnicos do Instituto Adolfo Lutz, de São Paulo, para descobrir onde teriam sido contaminados.A primeira morte, de uma mulher de 35 anos, que atuava no cultivo de cana-de-açúcar, ocorreu em 12 de fevereiro, 3 dias após sentir os sintomas, em Pontal. "Há a possibilidade do caso não ser autóctone", disse o secretário de Saúde de Pontal, Sidney Infante. Segundo ele, durante a provável contaminação, em 26 de janeiro, a mulher estaria trabalhando no plantio de cana perto de Morro Agudo. Ela também atuava em outras cidades na lavoura, apenas dormindo em casa.Na manhã de hoje, Infante visitou a casa, no meio de um canavial, onde permanecem os parentes da mulher. No quarto dela e do marido (que ainda dorme no local), foram encontradas fezes de ratos silvestres, que são os transmissores da doença. No lado externo, num esgoto a céu aberto, foram encontradas larvas do mosquito Aedes aegypti, o transmissor da dengue. O marido e outros cerca de 10 moradores da vizinhança farão exames de sangue para constatar se também não contraíram a doença. Infante lembra que, até agora, a literatura médica não constatou transmissão entre pessoas, mas sim de roedores para humanos.Infante disse que foi comunicado do caso de hantavirose no dia 8 e que, no mesmo dia, foi feito um bloqueio. Ele aguarda a captura dos ratos pelo Instituto Adolfo Lutz. Porém, já providenciou a desratização em tampas de esgoto nas ruas para prevenir outras doenças. Pontal tem três casos de dengue, sendo dois autóctones e um importado.A segunda morte por hantavirose, de um homem de 47 anos, que trabalhava na colheita de café, aconteceu no dia 20 do mês passado, em Santo Antônio da Alegria. Medidas preventivas também foram adotadas após a confirmação da doença. Em 2001, dos sete casos registrados no Estado, quatro pessoas morreram, sendo duas na região de Ribeirão Preto. A preocupação com o hantavírus existe, pois a época de safra de cana está chegando e milhares de migrantes devem chegar à região.

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