Prefeitura de Curitiba
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Richa muda Educação; comando da PM critica secretário de Segurança

Uma semana após confronto que deixou 234 feridos, governador do Paraná faz primeira troca no secretariado

Julio Cesar Lima, Especial para O Estado

06 Maio 2015 | 13h48

Atualizada às 23h17

CURITIBA - Sob pressão por respostas, uma semana após a ação da polícia que reprimiu manifestação de professores e deixou 234 feridos, o governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), trocou nesta quarta-feira, 6, o secretário da Educação, Fernando Xavier Ferreira. Ainda reflexo da ação, o comandante da PM, César Kogut, alegou em carta que o secretário da Segurança, Fernando Francischini, foi alertado para o risco da ação contra os docentes.

A atuação da Polícia Militar é alvo de pedido de explicações enviado nesta quarta ao governador pelo Ministério Público, que investiga indícios de abuso no conflito. Em dez dias, governo e cúpula da Segurança devem enviar um relatório “detalhado” sobre ordens de comando e o que aconteceu. Já o comandante-geral da Polícia Militar do Paraná enviou carta ao governador, na terça-feira, em que repudia as declarações de Francischini à imprensa.

Após o confronto, o secretário chegou a dizer que “apenas cuidava da gestão da pasta e a responsabilidade das operações de campo era da Polícia Militar”. Isso irritou a corporação. 

“O senhor secretário de Segurança Pública foi alertado inúmeras vezes pelo comando da Tropa empregada e pelo comandante-geral sobre os possíveis desdobramentos durante a ação e que, mesmo sendo utilizadas as técnicas internacionalmente reconhecidas como as indicadas para a situação, pessoas poderiam sofrer ferimentos, como realmente ocorreu, tendo sido vítimas manifestantes e policiais militares empregados na operação...”, diz Kogut, em trecho da carta enviada a Richa.

Além disso, o comandante da PM ressaltou que houve abertura de inquérito para “apurar os possíveis excessos”. Kogut ainda aponta Francischini como participante de todas as ações.

Em outra nota tornada pública pela Associação dos Militares (Amai) nesta quarta-feira, Kogut se dirige diretamente à Secretaria da Segurança. Fala em “divergências” e volta a criticar Francischini pelas afirmações dadas à imprensa. Diz ainda que o secretário “denigre a imagem da corporação”. A Amai não só divulgou as críticas do comandante, como cobrou o governo e pediu solidariedade dos filiados.

O governador não falou sobre a carta nem Francischini. A mulher do secretário, porém, reagiu pelas redes sociais. Assessora especial da Sanepar, Flávia Francischini fez críticas pesadas e indiretas aos políticos, falando até em “quadrilha”. O post foi apagado horas depois.

Educação. A primeira mudança no alto escalão foi a queda do secretário da Educação. Oficialmente, Fernando Xavier Ferreira pediu para deixar o cargo por “questões pessoais”. Ele será substituído pela professora Ana Seres Trento Comin. 

Ferreira enfrentava desgaste interno no governo e entre os docentes, que mantêm greve e o viam como uma pessoa que não entendia os problemas da pasta. Segundo o diretor da APP-Sindicato, Luiz Paixão, Ferreira era “peixe fora d’água”. “Evidente que não tinha condições políticas e técnicas para permanecer no cargo.” A nova secretária pediu um “voto de confiança”.

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