Ricos têm preconceito e medo de Dilma, diz Lula

Em Minas, ele afirma que elite foi quem mais ganhou dinheiro em seu governo, mas que classe alta não consegue aceitar metalúrgico na Presidência

Eduardo Kattah, O Estado de S.Paulo

17 Outubro 2010 | 01h00

Ao participar de carreata em Belo Horizonte ao lado da presidenciável petista Dilma Rousseff, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforçou ontem o discurso contra as elites ao afirmar que os mais ricos foram os que mais ganharam dinheiro no seu governo, mas não conseguiram superar o preconceito de ver um metalúrgico na Presidência.

Em discurso na Praça Sete, coração da região central da cidade e ponto final da carreata, Lula reclamou do comportamento de moradores do bairro Mangabeiras - uma das regiões mais nobres da capital -, onde teve início o ato eleitoral e está localizada a residência oficial do governador, Antonio Anastasia (PSDB).

"Lá tinha pessoas que faziam assim para nós", disse o presidente, repetindo o gesto do polegar para baixo. "Eu diria para vocês que eu fico constrangido porque aquelas pessoas ricas foram as pessoas que mais ganharam dinheiro no meu governo. Aquelas pessoas, na verdade, o que elas não conseguiram superar foi o preconceito contra um metalúrgico ser presidente e fazer pelo Brasil o que eles não conseguiram fazer."

Se dirigindo a Dilma, Lula pediu que a petista percebesse a "diferença da elite e do povo". "É com esse povo que você vai ganhar as eleições." Segundo Lula, além do preconceito "dessa parcela da população", Dilma enfrenta agora o "medo" de que uma mulher venha a ganhar a disputa pelo Palácio do Planalto.

Na etapa final do ato, de cima de um carro de som, Dilma fez questão de ressaltar o que chamou de "compromisso sagrado" com Minas Gerais. "Se Deus quiser eu vou ser a primeira mineira presidente do Brasil", discursou. "Esta terra em que eu vi pela primeira vez a luz da vida. Esta terra que me ensinou o valor da liberdade, da justiça e do desenvolvimento. Esta terra de JK (Juscelino Kubitschek), de Tancredo Neves, de Tiradentes, é uma terra abençoada. Vou honrar essa herança mineira que tenho."

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