Rigor em Foz tornou Guaíra principal porta para maconha

Região, de fronteira seca, facilita fuga de traficantes para o Paraguai; PF apreendeu ontem 11 t da droga entre Ponta Porã e Itahum, no oeste de MS

João Domingos, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

24 de setembro de 2008 | 00h00

A região de Guaíra, no oeste do Paraná, se transformou na principal porta de entrada da maconha proveniente do Paraguai, segundo informações das Polícias Federal e Rodoviária Federal. Isso ocorre porque a área, apesar de banhada pelo Rio Paraná, é junto da divisa com Mato Grosso do Sul, fronteira seca que facilita a fuga de traficantes para o país vizinho quando há operações policiais.O tráfico, no entanto, não é só de drogas. Com a fiscalização mais rigorosa na Ponte da Amizade, entre Foz do Iguaçu e Ciudad del Este, no Paraguai, contrabandistas de armas, munição e cigarros também passaram a operar por Guaíra. Nos últimos dois anos, foi registrado um aumento expressivo no processo de organização do crime na região, com a chegada de integrantes das duas principais facções criminosas do País, o Primeiro Comando da Capital (PCC), bastante atuante no Estado de São Paulo, e o Comando Vermelho (CV), ramificado no Estado do Rio.O aumento da repressão ao tráfico na Região Norte, depois da entrada em funcionamento do Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam), também fez com que houvesse migração das rotas do tráfico, de acordo com a PF. Contribuiu ainda para a concentração de traficantes na região de Guaíra um plano estratégico da Polícia Federal, que será concluído daqui a 15 anos. Por causa dessa estratégia, a PF começou a abrir postos de fronteira na área norte, com mais homens e equipamentos, afugentando traficantes da região amazônica.Embora Guaíra seja considerada um dos pontos estratégicos para o tráfico de drogas, armas e munições, toda a fronteira do Brasil com o Paraguai continua a ter também sérios problemas com a entrada de maconha e cocaína. Ontem mesmo a Polícia Rodoviária Federal apreendeu 11 toneladas de maconha, na Rodovia MS-164, entre Ponta Porã e Itahum, na região oeste do Estado de Mato Grosso do Sul.Uma característica da maconha que chega do Paraguai, de acordo com a PRF, é a baixa qualidade. A droga passa por uma prensa hidráulica, que a torna bem mais impura do que a produzida no sertão de Pernambuco, por exemplo. Essa droga contém pedaços de pau e até fezes de cavalo. Como a região onde é produzida é úmida, muitas vezes ao chegar ao Brasil a droga já está atacada pelo bolor.A Polícia Federal tem feito acordos com os policiais vizinhos do Paraguai, na tentativa de reprimir plantações ilegais de maconha na região de Salto del Guairá, do outro lado da fronteira. A PF já descobriu que as plantações de maconha crescem livremente no país vizinho, entre pastos onde ficam gado e áreas reservadas para as culturas de soja. As plantações de maconha se estendem também por regiões de vale, onde é mais fácil camuflar os pés da droga.A forma de entrada da maconha no Brasil às vezes muda, mas quase sempre há a travessia da fronteira em carretas, ônibus, carros e até bicicletas, pois é muito mais difícil fazer a vigilância onde a fronteira é seca, como em Mato Grosso do Sul. Ainda conforme informações da PF, os brasileiros dominam a produção da maconha vinda do Paraguai.

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