Rio

Entre idas e vindas, 12 que viraram roteiro turístico

Clarissa Thomé, O Estadao de S.Paulo

11 de abril de 2009 | 00h00

No Rio, 12 bares e restaurantes centenários sobrevivem. O passeio por eles começa por um prédio de paredes descascadas e decoração ultrapassada. "Minha casa não é bonita. Mas tudo tem qualidade. Sem isso não passo", diz o espanhol Ramon Dominguez, de 66 anos, que em 1959 trocou a Galiza pelo Rio. Desde 1982 ele é proprietário do Rio Minho, na Praça XV, fundado em 1884. Ali eram servidos principalmente caldos quentes. No início do século 20, o restaurante caiu nas graças do Barão do Rio Branco - que tem foto, busto e cadeira que usava preservados por Dominguez. A sopa Leão Velloso, criada na cozinha do Rio Minho pelo embaixador que acabaria por batizar o prato, leva quatro horas para chegar ao ponto certo. Saem 60 litros por dia. Os sócios do Aurora, fundado em Botafogo em 1898, também mantêm a tradição. "É quase um estatuto nosso: servimos porções generosas e cobramos um preço mais justo", diz Rodrigo Marques, que toca o negócio com o pai, Amílcar Marques, e o primo Marcelo Sereno. Nem todos os centenários conseguiram ficar no mesmo endereço. O Capela, de 1903, teve de trocar o Largo da Lapa pela Rua Mem de Sá, por causa da abertura da Avenida República do Chile, em 1967. A Uisqueria Bico Doce, de 1895, deixou a Rua do Rosário, 74, no centro, por conta dos altos custos do imóvel. Mudou-se para o 76, na mesma rua. O Lamas (na foto) funcionou no Largo do Machado por 102 anos, até ser despejado para dar passagem ao metrô. Faz 33 anos que está no Flamengo, na zona sul. As confeitarias mais antigas da cidade - a Casa Cavé, de 1860, e a Colombo, de 1894 - se adaptaram aos novos tempos, respondendo à concorrência da comida a quilo com pratos executivos. A Colombo, com sua arquitetura art nouveau, é um dos dez pontos turísticos mais visitados do Rio. Dois dos centenários servem culinária alemã: o Bar Luiz, que surgiu como Zum Schlauch, em 1894; e o Bar Brasil, de 1907.A volta pelas casas centenárias termina por Albamar (1906), Casa Paladino (1907) e Leiteria Mineira (1907).

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