WILTON JUNIOR/AE
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Rio de Janeiro: após invasão de lama, diarista teve casa reduzida pela metade

Com medo de novo temporal, diarista ficou a semana sem trabalhar. A esperança é conseguir salvar o pouco que restou

Marcio Dolzan, O Estado de S.Paulo

09 de março de 2020 | 05h00

RIO - Vanicelia Maria de Oliveira, diarista de 51 anos, divide desde o dia 1º de março, a parte de cima da casa com a filha Érica, grávida de quase nove meses, e onze cães. É a única parte da residência simples ainda habitável, desde que a forte chuva da véspera invadiu o imóvel, levando lama e destruição.

Com medo de novo temporal, ela ficou a semana sem trabalhar. A esperança é conseguir salvar o pouco que restou. “Quando a água veio, arrastou tudo. A casa do vizinho caiu toda aqui dentro do meu quintal. Graças a Deus, eles não estavam e ninguém se machucou.”

Construções irregulares, casas próximas a encostas e a estrutura precária cobraram seu preço. Em Realengo, zona oeste do Rio, onde mora Vanicelia, o córrego transbordou e causou deslizamentos. “Não temos como limpar a casa, porque estamos sem água.”

A zona oeste da capital fluminense foi uma das regiões mais afetadas, mas cidades da Baixada Fluminense e da região metropolitana também foram fortemente atingidas. Em Itaguaí, muitas casas continuavam submersas ainda na quinta-feira. Moradores dizem ter medo da transmissão de doenças. Relatam que animais como cobras, ratos e aranhas são vistos por toda parte. A prefeitura decretou estado de calamidade pública. Também houve inundações em Seropédica e Mesquita, também na Baixada.

O governo do Estado dará auxílio financeiro para a compra de materiais de construção e eletrodomésticos da linha branca às famílias que tiveram prejuízos. Os valores são R$ 5 mil para as famílias desabrigadas e R$ 2 mil para as desalojadas. No Rio, desde 1º de março, a Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos atendeu 2.130 famílias. Dessas, 474 ficaram desalojadas, e outras seis, desabrigadas.

A prefeitura do Rio ainda pode decretar situação de emergência ou mesmo estado de calamidade pública na cidade, o que permite às famílias que tiveram prejuízo com chuva sacar dinheiro do FGTS.

 

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