Rio de Janeiro tem mais de nove mortes por dia, diz site

Eles afirmam não acreditar na "paz vigiada" por câmeras e seguranças, por isso decidiram monitorar o resultado da violência no Rio de Janeiro com o site Rio Body Count. Com apenas 15 dias de funcionamento, o site já contabilizou 145 mortos e 76 feridos, uma média de 9,6 mortos por dia. O projeto foi criado pelo quadrinista de humor André Dahmer, de 32 anos, e pelo programador de sistemas Vinícius Costa, de 25, com o objetivo de abrir discussão sobre os altos índices de violência no Rio de Janeiro. Sem estratégia de divulgação, o site já ganhou matérias em agências internacionais de notícias como a Reuters e espaço em vários sites europeus. "O assédio da imprensa realmente foi grande, muito maior do que esperávamos, tanto a imprensa nacional quanto internacional", afirmou Vinícius Costa. "Fomos vítimas da violência várias vezes como qualquer carioca. Mas as motivações não são essas. Nós estamos trabalhando para tirar a sujeira debaixo do tapete. Não queremos o Rio de Janeiro como uma vitrine bonita, que em seu interior guarda experiências tenebrosas. Queremos discutir inclusão social, oportunidade de trabalho e estudo nos bolsões de miséria", explicou Dahmer, mais conhecido por sua tirinha "Os Malvados", de humor crítico e discussões de temas polêmicos da sociedade. Dahmer e Costa inspiraram-se no site Iraq Body Count, que contabiliza civis vítimas do conflito no Iraque. A idéia era basear-se em informações de jornais, mas o projeto - que conta com trinta colaboradores - tem atraído a ajuda de voluntários. Em seu blog, Dahmer convoca internautas que escrevam bem e que estejam boa parte do tempo conectados: "Cariocas que acharem a tarefa importante, que participem conosco deste esforço, deste grito de alerta. Amigos de internet e blogueiros, divulguem este nobre projeto em seus sites". O recrutamento funcionou. No site de relacionamentos Orkut, vários jovens indicam o endereço do site, e 115 pessoas integram a comunidade "Sou voluntário (riobodycount)", para quem "souber de algum incidente violento no Estado do Rio de Janeiro ou mesmo se quiser colaborar como voluntário reportando incidentes". Como é grande o volume de casos enviados, os editores checam todas as notícias para que não ocorra repetição e, conseqüentemente, um erro na contagem. "A vontade das pessoas de participar é grande. Recebemos relatos de agressão, assassinato, latrocínio. Mas sabemos ser impossível reportar tudo. Queremos mobilizar mesmo, os cariocas merecem um futuro menos sombrio", escreveu Dahmer.

Agencia Estado,

16 Fevereiro 2007 | 15h26

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