Tasso Marcelo/AE
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Rio de Janeiro vai ter patrulhamento de bicicletas em áreas turísticas

Os oficiais do Batalhão de Polícia em Áreas Turísticas (BpTur) inicia um projeto piloto de patrulhamento nos bairros de Copacabana, Aterro do Flamengo, Lapa e Centro Histórico

Antonio Pita , O Estado de S.Paulo

16 Julho 2012 | 16h39

RIO - A partir desta quarta-feira, 18, o Rio de Janeiro passa a contar com um novo modelo de patrulhamento em áreas turísticas, feito exclusivamente por policiais em bicicletas. Os oficiais do Batalhão de Polícia em Áreas Turísticas (BpTur) inicia um projeto piloto de patrulhamento nos bairros de Copacabana, Aterro do Flamengo, Lapa e Centro Histórico, com o objetivo de ampliar a área de cobertura e melhorar a eficiência do policiamento.

Em fase experimental, a ação começará com 20 policiais, que concluíram na última semana o curso de ciclo patrulhamento. A proposta é expandir o policiamento para outras áreas e batalhões da PM, com novas turmas do curso ainda este ano. De acordo com o comandante, o modelo pode ser implantado em toda a orla da zona sul, do Leblon ao Leme, e também na região do centro, incluindo a Praça XV, Pier Mauá, Paço Imperial e Praça Tiradentes, onde o fluxo de turistas é intenso e as principais ocorrências são furtos e pequenos delitos.

A ideia surgiu como resposta à dificuldade de deslocamento com o trânsito da cidade, segundo o comandante do batalhão, tenente coronel Joseli Cândido. "A bicicleta supera essas dificuldades, além de permitir uma maior aproximação com a população", afirma. Para ele, as magrelas dão mais rapidez e ampliam em cinco vezes a cobertura do policiamento.

A bicicleta utilizada pelos policiais, mais leve, é equipada com peças de alumínio e câmbio reforçado para evitar problemas durante as abordagens. Os oficiais também carregam armas teaser e rádio para se comunicar com o centro de operações e com o batalhão mais próximo, que será responsável pelo transporte de suspeitos presos.

Para aprender técnicas de abordagem sobre as bicicletas, o grupo passou por um treinamento de dez dias e visitou cidades de Minas Gerais onde o modelo de patrulhamento já é adotado. Em setembro, parte do grupo viaja a Miami para conhecer a experiência americana. No treinamento, os oficiais tiveram aulas teóricas sobre direitos humanos, ergonomia, código de trânsito e polícia comunitária.

Na parte prática, os policiais aprenderam técnicas de desembarque das bicicletas em velocidade, manobras para impedir fuga e imobilização de suspeitos. "A gente conta com o fator surpresa e com a versatilidade da bicicleta, que é também um instrumento de defesa pessoal", afirmou o tenente Isaac Ferreira, de 28 anos.

Os oficiais que participam do projeto experimental foram selecionados em diferentes batalhões e UPPs da cidade. Em média, eles têm cerca de um ano de atuação na PM, são jovens com idades entre 24 e 30 anos, falam mais de um idioma e contam com preparo físico para o serviço.

Os oficiais Igor Yanes, de 24 anos, e Theodoro Mongelli, de 28 anos, levaram ao grupo a experiência de corridas de aventura e provas de triathlon que participavam fora da corporação. "Além de ser um exercício físico importante, é um meio eficiente e eficaz de policiamento ostensivo, com atuação preventiva e repressiva", descreve Yanes.

Apesar das marcas e hematomas surgidos durante os treinamentos, a expectativa entre os oficiais é positiva com o novo serviço. "O projeto cria um espelho para a sociedade, como prática de saúde e sustentabilidade, além de mudar a imagem da polícia, que passa a ter contato mais direto com a população", afirma Clarissa Gomes.

Até junho, ela trabalhava na UPP do Morro do Alemão, na zona norte da cidade. "É uma perspectiva diferente para a carreira na corporação, e também está mudando os meus hábitos, já que eu não gostava de exercício físico".

Matéria modificada às 19h33 para correção de informação

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