Rio declara caipirinha patrimônio imaterial

Bebida foi criada em 1918, em São Paulo, como um remédio contra a gripe espanhola

Roberta Jansen - O Estado de S.Paulo

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Caipirinha preparada pelo bartender Jean Ponce. Foto: Felipe Rau/Estadão Foto:

RIO DE JANEIRO - Um drinque criado no interior de São Paulo acaba de ser declarado patrimônio imaterial do Rio. O reconhecimento da tradicional caipirinha foi publicado na edição desta quinta-feira, 24, do Diário Oficial do Rio.

A proposta de tornar a caipirinha patrimônio imaterial partiu do deputado federal Paulo Ramos (PDT/RJ) por meio do Projeto de Lei 4334 de 2018 – ano em que se comemorou um século da criação do coquetel. No texto sancionado pelo governador do Rio, Wilson Witzel (PSC), a caipirinha é chamada de “bebida símbolo do Brasil”.

Aprenda a identificar uma boa cachaça

1 | 11 13 de setembro é o Dia Nacional da Cachaça. Para aprender a identificar no copo - a partir de visual, aromas e sabores - os bons rótulos da bebida mais brasileira de todas, siga os passos a seguir.   Foto: Tiago Queiroz/Estadão
2 | 11 Uma cachaça bem destilada é límpida, não pode ser turva. Foto: Tiago Queiroz/Estadão
3 | 11 É como são chamadas as bolhas que se formam quando a cachaça entra em contato com o copo. Bolhas pequenas e em grande quantidade sinaliza boa destilação. Foto: Maurício Motta/Estadão
4 | 11 Ao girar o copo, observe como as “lágrimas” da cachaça deslizam pelas laterais do copo. “Lágrimas” que escorrem lentamente indicam boa cachaça. Foto: Tiago Queiroz/Estadão
5 | 11 Antes de tomar um gole, aproxime o copo do nariz e concentre-se nos aromas. O perfume de uma boa cachaça é agradável. Se não for, a bebida tem defeitos – e os defeitos e contaminações são bem fáceis de identificar (leia a seguir).  Foto: Maurício Motta/Estadão
6 | 11 Alguns aromas são verdadeiros mensageiros de uma ressaca daquelas. Os problemas de contaminação em cachaças de alambique costumam ser os responsáveis por aquela explosiva dor de cabeça – mesmo que se tenha bebido com moderação. Os aromas que prenunciam a ressaca são: maçã podre (acetaldeído), vinagre (ácido acético), cola (acetato de etila), sabão (ácido decanóico sulfúrico), enxofre (dióxido de enxofre), ovo podre (sulfeto de hidrogênio), cebola (presença de etanotiol), couve-flor (disulfereto de dimetilo) e cavalo (etil fenol).  Foto: Werther Santana/Estadão
7 | 11 Uma bebida bem destilada, mesmo com altas graduações alcoólicas, não é violenta e não desce arranhando a garganta.  Foto: Werther Santana/Estadão
8 | 11 Fique atento às sensações de refrescância, picância e adstringência (aspereza próxima à sentida ao comer banana verde, seu oposto é a sensação de aveludado). Note também acidez, doçura, salinidade e amargor. As cachaças misturam todas essas características; ao prestar atenção em cada um desses elementos ao prová-las, você cria bagagem sensorial e aprende a identificar o que mais gosta.  Foto: Tiago Queiroz/Estadão
9 | 11 Gosto alcoólico e de madeira são comuns em todas as cachaças e podem aparecer em maior ou menor grau sem denotarem problemas. Já o gosto metálico e de queimação são um alerta de má qualidade. Além disso, uma cachaça pode apresentar diversos perfis de sabores: frutado, de especiarias, torrado, adocicado, floral, de castanhas, de plantas.  Foto: Maurício Motta/Estadão
10 | 11 Para ter uma percepção ainda maior de aromas, corpo e álcool na boca, faça o seguinte: tome um gole, feche os lábios e expire pelo nariz. Os aromas e o sabor ficam mais perceptíveis assim.  Foto: Maurício Motta/Estadão
11 | 11 Em janeiro deste ano, a segunda edição do Ranking Cúpula da Cachaça elegeu, em ordem de importância, os melhores rótulos nacionais. Confira as indicadas e o que eles disseram sobre cada uma delas.  Foto: Tiago Queiroz/Estadão

“Sou muito ligado à cachaça e, numa conversa de botequim, me veio a ideia de prestigiar a caipirinha”, contou Paulo Ramos que, na época da proposta, quando era deputado estadual. “A caipirinha pode ter sido criada em São Paulo, mas, definitivamente, foi no Rio que ela alcançou maior visibilidade.”

Bebida foi criada como remédio contra gripe espanhola

Há várias versões para o surgimento da bebida, mas a mais aceita pelo Instituto Brasileiro da Cachaça (Ibrac) sustenta que a bebida foi criada em 1918, em São Paulo, como um remédio contra a gripe espanhola.

“A receita, no entanto, era um pouco diferente da atual: cachaça, limão, alho e mel”, afirma o diretor-executivo do Ibrac, Carlos Lima. “No passado, muitos medicamentos tinham uma base alcoólica.”

Não demorou muito para que as pessoas percebessem o potencial social da bebida. Tanto é assim que pouco tempo depois, em 1922, na Semana de Arte Moderna, a caipirinha foi a bebida oficial do evento, o que ajudou a popularizá-la.

“A Semana de Arte Moderna foi marcada por um resgate da brasilidade”, explica Carlos Lima. “Por isso, a caipirinha foi escolhida como o drinque da semana.”

Segundo os puristas, para ter esse nome, a caipirinha deve ser composta somente de cachaça, açúcar e limão.

“Não chega a ser um absurdo que se usem outras frutas, numa releitura da bebida”, afirma Lima. “Mas não posso aceitar nenhum outro destilado que não seja a cachaça.”

O Ibrac estima que sejam produzidos anualmente 700 milhões de litros de cachaça – a segunda bebida alcóolica mais consumida no País, atrás apenas da cerveja.

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