Rio e Minas integrarão sistema de segurança

O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, acredita que, num prazo de dois meses, o Brasil já deverá possuir um Sistema Único de Segurança Pública (Susp) integrando todos os Estados. Em entrevista ao Bom Dia Brasil, TV Globo, em São Paulo, ele informou que, nos próximos dias, assinará o protocolo de intenção para adesão ao Susp com os governos do Rio de Janeiro e de Minas Gerais. "Amanhã, vamos assinar com o Minas Gerais e, na quarta-feira, vamos assinar com Rio de Janeiro. Depois disso, vamos assinar com São Paulo. Estive com o governador Alckmin, que me disse expressamente que queria a adesão"."Vamos assinar também no Nordeste e depois no Norte. Eu estive agora na reunião do presidente com os governadores do Norte e todos eles querem assinar. Desta forma, acredito que em mais dois meses a gente tenha integrado todo o País num sistema efetivamente único, que vai dar um grande ganho de escala. Um grande ganho na luta pela racionalização e para evitar o desperdício". O ministro da Justiça também foi indagado sobre os primeiros resultados do programa de segurança no Rio Grande do Sul e no Espírito Santo, Estados onde o Susp já está em vigor. "Nós estamos dando apoio no Espírito Santo e no Rio Grande do Sul a várias providências que visam a melhorar as polícias", falou. "Nosso objetivo é integrá-las e fazer com que seus procedimentos e os seus sistemas de inteligência falem uns com os outros. Com isso, haverá aumento na eficácia na luta contra a criminalidade". Força de EliteMárcio Thomaz Bastos adiantou também que a Força de Elite da polícia deverá ser usada em operações em outros Estados. Conforme o ministro, a entidade não ficará subordinada às autoridades do Rio de Janeiro. "Essa equipe de elite pretende fazer trabalhos de inteligência e de operação de combate concreto ao crime. É uma equipe que nos custou muito montar, ela é dirigida por um delegado excepcional, que tem grandes vitórias em outros Estados. Ela vai lutar contra o tráfico de armas, o tráfico de drogas, vai ajudar no serviço de inteligência do Estado, trabalhando conjuntamente com eles". Para o ministro, essa tropa de elite vai ter êxito no Rio e depois deverá atuar também em outros Estados. Perguntado sobre as dificuldades que a Corregedoria da Polícia enfrenta para punir policiais corruptos, Bastos declarou que o Ministério está na fase final de confecção de um projeto que estabelece uma experiência que deu certo em São Paulo, a chamada ´via rápida´. Ele lembrou que essa iniciativa paulista é um processo que permite efetivamente construir um processo mais rápido e eficiente na punição contra os maus policiais, acrescentando que "a questão da investigação é uma que exige realmente elementos materiais. Essa força de elite é uma força que estamos implantando e que tem condições de ajudar muito nesse tipo de trabalho".Lavagem de dinheiroO ministro Márcio Thomaz Bastos reiterou que a lavagem de dinheiro é a forma mais eficaz de combater o tráfico de drogas. Para ele, o tráfico é um grande negócio, é perigoso, que acumula e movimenta grandes somas de dinheiro. Uma das maneiras de lutar contra isso, afirmou, é lutar contra a lavagem de dinheiro. "Nós temos trabalhado muito nesse setor porque a causa final do crime é a lavagem de dinheiro. Ninguém entraria numa quadrilha correndo os riscos para acumular uma grande soma de dinheiro e guardar debaixo do colchão. No entanto, essa luta tem sido ineficiente no Brasil porque, apesar da lei que temos contra isso, não obtivemos nenhum resultado", considerou Bastos. "Nós estamos montando um processo ambicioso, que envolve Banco Central, Polícia Federal, Receita Federal, Bolsa de Valores, Comissão de Valores Mobiliários, de modo que se crie no Brasil efetivamente um cultura contra a lavagem de dinheiro. Eu acredito que essa é uma das maneiras mais eficazes - a experiência de todos os países do mundo indica isso - na luta contra esse tipo de crime". Questionado se o sistema de repressão falhou em coibir o chamado ´consumo recreativo´ feito, por usuários eventuais de drogas, o ministro disse essa seja talvez a questão mais séria, a interação, a realimentação permanente que o consumo recreativo faz sobre o tráfico de entorpecentes.

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