Rio e SP fecham acordo sobre trem-bala. E só agora vão pesquisar demanda

Os governadores do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), e de São Paulo, José Serra (PSDB), assinaram ontem, na capital fluminense, um protocolo de intenções com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), estatal que financiará a obra do trem-bala entre os dois Estados. Inicialmente, de acordo com o presidente do banco, Luciano Coutinho, haverá estudos de viabilidade técnica. Nos próximos dias, uma pesquisa será realizada pelo Ibope para avaliar a demanda. Segundo Coutinho, a modelagem desse projeto é "muito complexa" e é necessário consultar experiências internacionais, a pedido também do Ministério dos Transportes. Será criado um grupo de trabalho e consultorias poderão ajudar na confecção do edital da obra. Na primeira fase, haverá ainda um convênio com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Como o Estado revelou ontem, para atrair o interesse da iniciativa privada será proposta a inclusão de um ramal entre Campinas e a capital paulista, além da diminuição da velocidade do expresso. Um pré-estudo sobre a ligação a prevê velocidade de 180 km/h, ante os 300 km/h previstos em projeto de uma empresa italiana. Em velocidade menor, a duração da viagem subiria para duas horas e meia, contra os 90 minutos da composição mais rápida. O projeto do trem deve custar 40% menos que os US$ 9 bilhões da proposta italiana, que prevê apenas dinheiro da iniciativa privada. Estudo da União Internacional de Ferrovias mostra que uma viagem de trem com duas horas e meia de duração é capaz de tirar 80% da demanda aérea em um determinado trecho. O governo paulista não acreditava na viabilidade da proposta italiana, que não previa recursos do governo federal. "São Paulo sempre desconfiou desse projeto, porque não existe em lugar nenhum do mundo ampliação da infra-estrutura de transporte sem a iniciativa pública", disse uma fonte. O objetivo é iniciar a obra após a conclusão do Expresso Aeroporto, prevista para 2010. Há a possibilidade ainda de haver uma parada na cidade de Jundiaí. Já o ramal entre São Paulo e Rio pode ter paradas em São José dos Campos, no Vale do Paraíba, e em Resende ou Volta Redonda, no Estado do Rio.

Jacqueline Farid e Eduardo Reina, O Estadao de S.Paulo

30 Novembro 2007 | 00h00

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