Rio e SP têm atos contra prisões de ativistas

Atos aconteceram em meio à discussão sobre decretação ou não da prisão de 23 ativistas denunciados por formação de quadrilha

Fabio Grellet, O Estado de S. Paulo

30 de julho de 2014 | 21h00

RIO - Em meio à discussão judicial sobre a decretação ou não da prisão de 23 ativistas denunciados pelo Ministério Público do Rio por formação de quadrilha, cerca de 400 pessoas fizeram um protesto, na noite desta quarta-feira, 30, no centro da capital fluminense contra “prisões políticas”. 

O ato ocorreu seis dias após a decisão do desembargador Siro Darlan, que suspendeu as 23 ordens de prisão, e um dia depois de o Ministério Público recorrer, pedindo que os mandados sejam restabelecidos. Após ser comunicado oficialmente da decisão, Darlan tem 48 horas para rever sua decisão ou submeter o caso à 7.ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio. 

O protesto começou nas imediações da Igreja da Candelária, às 17h30. Dali, o grupo saiu pela Avenida Rio Branco até a sede do TJ-RJ e depois para a Cinelândia. Além de pedir a manutenção dos habeas corpus que garantem a liberdade dos ativistas, os manifestantes condenaram as prisões de Rafael Braga (sob acusação de portar substâncias que poderiam ser usadas nos protestos), e de Caio Rangel e Fábio Barbosa, acusados da morte do cinegrafista Santiago Andrade. No ato, a prisão dos três foi classificada como “perseguição política”. 

A polícia também foi alvo de críticas. Vários manifestantes usavam máscaras do filósofo russo Mikhail Bakunin, que viveu no século 19. Citado por ativistas em conversas telefônicas gravadas, Bakunin teria sido “procurado” pela Polícia Civil. Dezenas de policiais acompanharam o ato e, até as 21 horas, nenhum tumulto havia sido registrado. 

São Paulo. A Frente Independente Popular (FIP-SP), que reúne ativistas sociais e coletivos diversos e ficou famosa nos protestos do Rio, fez nesta quarta seu primeiro ato na capital paulista, reunindo cerca de cem pessoas, às 17 horas. Houve panfletagem no metrô “contra a criminalização dos movimentos sociais”. 

A FIP cobrou a libertação de manifestantes presos em São Paulo e no Rio e o fim do inquérito 1/2013, que investiga as manifestações do ano passado. O padre Júlio Lancellotti esteve no ato e destacou que a prisão de ativistas é “ato de intimidação”.

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