Paulo Araujo/Estadão
Paulo Araujo/Estadão

Fervo da Ludmilla arrasta 1 milhão de foliões e bate recorde no carnaval do Rio

No último dia oficial da folia no Brasil, capital carioca recebeu 4,6 milhões de pessoas, de acordo com a Riotur

Denise Luna e Vinicius Neder, do Rio, O Estado de S. Paulo

25 de fevereiro de 2020 | 10h52
Atualizado 26 de fevereiro de 2020 | 07h27

Mais de 50 blocos saíram nesta terça-feira, 25, no Rio de Janeiro, último dia oficial do Carnaval no Brasil, mas que em muitas cidades de estende até sábado ou mais, como em Salvador. Logo pela manhã, a partir das 7h, o bloco Fervo da Lud, da cantora Ludmilla, arrastou 1 milhão de foliões nas ruas do Centro do Rio, batendo o recorde de público na contagem oficial da Riotur, agência de promoção do turismo da Prefeitura carioca. O evento superou o público de 630 mil pessoas do tradicional Cordão da Bola Preta, e uniu-se aos outros blocos que levaram 1,6 milhão de foliões às ruas, elevando o público do carnaval de rua no Rio para em torno de 4,6 milhões de pessoas, conforme estima a Riotur.

Fervo da Lud com menos confusão

Quem foi curtir a festa capitaneada por Ludmilla teve que acordar cedo, pois o desfile começou por volta de 7h. Como publicou a própria cantora em suas redes sociais, o desfile foi marcado para mais cedo com o objetivo de “evitar que as pessoas fiquem muito bêbadas” e arrumem confusão, como no ano passado. Em 2019, o Fervo da Lud foi cenário de cenas de violência. O desfile terminou após apenas duas horas de apresentação, depois de a polícia jogar bombas de gás lacrimogêneo e spray de pimenta para conter uma briga, provocando correria generalizada.

Este ano, houve menos registros de confusão. O tema do desfile deste ano foi “Verdinha”, atual sucesso de Ludmilla. “É muito gratificante. Me sinto completamente realizada, parece que nasci para estar aqui em cima, cantar e alegrar esse pessoal”, afirmou Ludmilla, em transmissão ao vivo no canal por assinatura GloboNews.

Outro “megabloco” que desfilou nesta terça de carnaval foi a Orquestra Voadora, que arrastou 330 mil foliões pelo Aterro do Flamengo. Assim como outros blocos cariocas, este ano o grupo formado por músicos, pernaltas e acrobatas fez um apelo público para contribuições por meio de “crowdfunding”, que viabilizassem o desfile. Segundo os organizadores, “são 200 músicos, 100 pernaltas, dezenas de malabaristas e acrobatas, 100 seguranças na corda e caminhão de som, sendo este último o maior custo do desfile”, diz o texto do pedido de ajuda financeira.

Na zona sul, a tradicional Banda de Ipanema atraiu 95 mil foliões, enquanto o bloco Vagalume, O Verde levou 80 mil pessoas ao Jardim Botânico. Mas a folia não fica só por conta dos “megablocos”. O tradicional Bloco das Carmelitas, em seu 30º carnaval, desfilou ao lado de 18 mil pessoas pelas ladeiras de Santa Teresa, na região central do Rio.

Já no fim da tarde, também na zona sul, um grupo bem menor de foliões saiu atrás do bloco Largo do Machado, Mas Não Largo do Copo, que desfilou pela primeira vez em 2007. Embora menos tradicional, o bloco é um caso típico do carnaval carioca, de agremiação fundada por um grupo de amigos, que traz a irreverência no trocadilho do próprio nome.

Segundo Lula Dias, presidente do Largo do Machado, Mas Não Largo do Copo, o grupo de amigos “de copo” se conheceu no bar que todos frequentam, no Largo do Machado, uma praça localizada entre os bairros do Flamengo, Laranjeiras e Catete. Hoje, são cerca de 20 remanescentes do grupo original de boêmios, que financiam o desfile do bloco com recursos próprios, sem apoio da prefeitura. Os recursos vão basicamente para a contratação dos cerca de 25 músicos que sustentam o desfile. A ideia do bloco é resgatar o carnaval de rua tradicional do início do século XX, a base de marchinhas e sambas.

É o típico “bloco de bairro”, que atrai o casal de foliões Nathália Rosa, de 31 anos, e Eric Tatsuya Ota, de 32. “Temos preferido os blocos que saem pela manhã, mais vazios e tranquilos”, disse Ota, administrador de empresas, que mora com Rosa, advogada, na Tijuca, zona norte do Rio. O casal contou que chegou na parte final do desfile do Largo do Machado, Mas Não Largo do Copo quase por acaso, após passar pelo desfile de outro bloco de bairro, o Cachorro Cansado, que saiu um pouco mais cedo.

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