Rio Grande do Sul: terceiro dia mais frio desde 1994

O Rio Grande do Sul teve neste domingo a terceira temperatura mais baixa dos últimos dez anos, segundo os registros da Rede deEstações de Climatologia Urbana de São Leopoldo. Os 6,8 graus negativos verificados pela Climatologia no Monte Negro, o pontomais alto do alto do Estado, a 1.403 metros do nível do mar, em São José dos Ausentes, só não bateram os 7,9 graus negativosde julho de 1994 e os 8,2 graus negativos de julho de 2000, ocorridos no mesmo município. Mas foram suficientes para congelarlagos, reservatórios e a água dentro dos canos de diversas casas e provocar a geada negra, um fenômeno que vai além doscristais de gelo na superfície e congela também a umidade que está sob o solo e a seiva das árvores, levando-as a uma coloração escura e à morte.Mesmo com ventos fracos, de 10 a 15 quilômetros por hora, a sensação térmica chegou a 15 graus negativos e tornou aindamais inóspito o ambiente que o agropecuarista Ailto Cardoso enfrentou para chegar ao Monte Negro. Como observadormeteorológico da Climatologia, ele tem a tarefa de ir à estação instalada no local para verificar os termômetros periodicamente. Para tanto, cavalga por 20 minutos, atravessando quatro propriedades rurais da região, deixa o cavalo na base, e sobe o morro apé, em meio a uma floresta.Assim como em São José dos Ausentes, em todo o Rio Grande do Sul o domingo foi gelado, inclusive à tarde, quando ostermômetros não passaram de 13 graus em Porto Alegre, uma das cidades mais quentes do Estado. Em Cambará do Sul, ondeo 8.º Distrito de Meteorologia (Disme) tem uma estação de observação, a mínima foi de 6,4 graus negativos, aproximando-se dorecorde histórico registrado pelo instituto, de 7,2 graus negativos, no mesmo município e em Bom Jesus, em julho de 2000.?A água de um tonel que estava na rua congelou?, relata Norli Terezinha da Silva Valim, proprietária da Pousada Quero-Quero,lotada por 12 turistas de Porto Alegre que se frustraram pela falta de neve e se deliciaram com os passeios pelos camposcobertos de geada da região, onde estão os cânyons dos Aparados da Serra. Apesar do dia ensolarado, o gelo só derretou nofinal da manhã. Além de Cambará do Sul, os turistas lotaram pousadas e hotéis de toda a serra gaúcha. Muitos deles erampaulistas que aproveitaram o feriado prolongado para viajar ao Sul. ?Só faltou a neve, mas aproveitei bastante?, comentou aestudante Neiva Soledade, referindo-se à gastronomia e aos passeios por Gramado, Canela e São Francisco de Paula. Nabagagem, pouco antes do embarque de volta, no aeroporto Salgado Filho, já estavam as fotos com a paisagem branca de geadaao fundo.O levantamento do 8º Disme mostra que houve geada forte e temperaturas negativas em todas as regiões do Rio Grande do Sul. Entre os municípios citados no relatório estão Uruguaiana, na fronteira com a Argentina, onde os termômetros marcaram um grau negativo; Bagé, na fronteira com o Uruguai (-0,7); Santa Maria, no centro (-1,2); Passo Fundo, no noroeste (-1,4); e Caxias doSul, no nordeste (-1,2). Em Porto Alegre, onde o fenômeno é raro, a geada foi fraca. A mínima registrada pelo 8.º Disme foi de 3,2graus positivos.Embora continuem muito baixas, as temperaturas desta segunda-feira não devem ser inferiores às de domingo nas zonas maisaltas. Mas, segundo o meteorologista Eugênio Hackbart, coordenador da Climatologia, vão cair ainda mais nas zonas baixas doEstado, em cidades como Santa Maria, Porto Alegre e São Leopoldo, repetindo um fenômeno que ocorre sempre que umamassa de ar polar começa a se retirar. Os termômetros podem marcar quatro graus negativos nos Aparados da Serra e cerca dezero grau em Porto Alegre.

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