Rio já teve 302 ônibus depredados desde 1999

Desde abril de 1999 até hoje, 302 ônibus foram incendiados ou depredados no estado, segundo dados da Federação das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Rio (Fetranspor). Segundo a polícia, esses atos, cometidos por moradores de comunidades pobres, são incitados por traficantes de drogas.O prejuízo nesse período é estimado em R$ 12 milhões. A média mensal desse tipo de ocorrência subiu de 4,4 casos em 2001 para 11 esse ano. Ou seja, um aumento de mais de 100%. Enquanto em todo o ano passado 53 veículos foram alvo de vandalismo, os primeiros seis meses de 2002 já registram 66 episódios.Os números foram divulgados nesta terça-feira pelo superintendente da Fetranspor, Luiz Carlos de Urquiza da Nóbrega, após encontro com o secretário da Segurança Pública, Roberto Aguiar.Pouco antes do início da reunião, por volta das 10 horas, um ônibus era queimado por moradores do Jardim Catarina, em São Gonçalo, Grande Rio. Eles estavam revoltados com a morte da doméstica Simone Paulina, de 26 anos, atingida por um tiro na cabeça na noite de quinta-feira. Segundo testemunhas, ela teria sido assassinada por policiais, que teriam chegado à favela já atirando.A polícia diz que houve confronto com traficantes, que participavam de um baile funk. A bala que atravessou a cabeça de Simone, atingiu o pescoço do eletricista Osmar de Oliveira, de 48 anos, e ficou alojada na garganta. O eletricista corre o risco de ficar mudo.O protesto dos moradores, que queimaram um ônibus, foi o segundo do gênero em 36 horas. Na noite de quarta-feira, seis coletivos foram queimados na Vila Cruzeiro, na Penha, zona norte, onde a quadrilha do traficante Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco, capturou o jornalista Tim Lopes, da TV Globo.Roberto Aguiar afirmou que 100 homens da PM, descaracterizados, circulam em ônibus nas áreas mais críticas da capital durante as 24 horas do dia. A partir deste sábado, o comando da PM tem ordem para identificar e prender os responsáveis por esses atos de vandalismo.O governo vai investigar também por que vans e kombis não sofrem o mesmo tipo de violência. Além disso, um sistema de comunicação será criado para que as empresas tomem conhecimento imediato de riscos e possam alterar os itinerários.Em geral, os ônibus são incendiados quando traficantes são presos ou mortos, e quando inocentes morrem durante operações policiais. De acordo com o secretário, muitas vezes, os próprios traficantes são os responsáveis por esses assassinatos. ?O tráfico usa isso como forma de amedrontar a comunidade e dizer que ainda tem o comando da região. É uma forma de intimidação que o estado não aceita?, disse Aguiar.O secretário lembrou que há 640 favelas no Estado e é praticamente impossível impedir situações que escapem do controle da polícia em todas elas. Segundo o superintendente da Fetranspor, uma empresa leva de dois a três meses para repor um ônibus queimado em sua frota. Os veículos comuns custam R$ 110 mil. Com ar-condicionado, o preço sobe para R$ 150 mil. Nóbrega afirma que os seguros são economicamente inviáveis, pois o risco é muito grande. Ainda assim, ele disse confiar nas autoridades e citou a média mensal de assaltos a ônibus, que caiu de 430 em 2001 para 401 esse ano, como razão de otimismo.O vice-presidente do Sindicato dos Rodoviários, Antônio da Cunha Filho, disse que a categoria evita trabalhar nas linhas mais perigosas, nas quais colegas já morreram. Cunha Filho disse ainda que funkeiros seqüestram ônibus durante a madrugada e obrigam os motoristas a transportá-los até bailes em favelas.

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