Rio manda de volta migrantes frustrados

A Prefeitura do Rio de Janeiro está mandando de volta para casa pessoas que tentaram a vida no Rio, tiveram as expectativas frustradas e acabaram morando nas ruas. O programa De Volta à Terra Natal, da Secretaria Municipal de Governo, está recolhendo mendigos e oferecendo passagens de ônibus para aqueles que queiram voltar às suas cidades de origem.Nos últimos três meses, 250 ?forasteiros? embarcaram na Rodoviária Novo Rio com destino a seus Estados ? 60% deles eram de São Paulo. ?São pessoas que acreditaram que teriam melhores condições de emprego no Rio, mas muitas vezes estão despreparadas, e acabam nas ruas?, afirma o coordenador do programa, Carlos Eduardo Luz.Depois de São Paulo, Norte e Nordeste são os principais destinos ? 25% dos beneficiados embarcaram para essas regiões. O restante se divide entre cidades mineiras, Brasília e Goiânia. O programa custa R$ 70 mil mensais à prefeitura. Desse total, R$ 7 mil são gastos com passagens.Os moradores de rua são abordados por equipes de assistentes sociais da Secretaria de Governo. Eles são levados para um centro de triagem, hospedados em hotéis conveniados e aguardam a resposta da Prefeitura. As assistentes sociais checam as informações dos moradores de rua, confirmam se eles têm família ou referências nas cidades de onde dizem ter partido. ?Não adianta a pessoa dizer que veio de Minas e que quer ir para São Paulo, se ela não tiver lastro lá?, disse Luz.Quem não quer voltar para casa, pode permanecer no Rio. A prefeitura paga aluguel de uma casa por três meses, no valor máximo de R$ 300, e encaminha as pessoas para o mercado de trabalho. Foi o caso do mineiro Robson do Nascimento, de 27 anos. Abandonado pela mulher com o casal de filhos pequenos, de 4 e 2 anos, Nascimento acabou nas ruas de Copacabana.Foi abordado por uma assistente social, mas não quis voltar para Minas Gerais. ?Estou há três anos no Rio, minha vida é aqui?, diz. A prefeitura alugou um barraco de quarto e banheiro na Rocinha para Nascimento e os filhos, por R$ 150 mensais. ?É pequeno, mas tudo limpinho?, diz Nascimento, que escolheu o local. As crianças foram matriculadas em creche, e o pai começou a trabalhar numa obra da Prefeitura, no Leblon.Até os dentes Nascimento consertou. ?Antes era um dente só aqui na frente. Tava ruim pra tudo, né??, sorri, envergonhado, mostrando a dentadura nova feita em consultório da Prefeitura. Nesta segunda-feira, o operário esteve novamente no centro de triagem do programa, no Centro.A mulher quer voltar. ?Botei anúncio no rádio e ela me ligou. Agora as assistentes vão conversar com ela?, diz. Já venceu o prazo para que Nascimento assumisse o pagamento do aluguel do barraco, mas ele ficou desempregado recentemente. ?Vamos oferecer mais três meses ao casal, desde que eles se responsabilizem por parte do aluguel?, diz Luz.

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