Rio não cumpre meta de redução de homicídios

Governador Sérgio Cabral prometeu queda de 11,7%, mas diminuição em 2009 foi de 9%

Felipe Werneck, O Estado de S. Paulo

08 de fevereiro de 2010 | 21h04

Anunciada em junho pelo governador Sérgio Cabral Filho (PMDB), a meta de redução dos homicídios dolosos em 11,7% no segundo semestre de 2009 não foi atingida. Oficialmente, a queda no período foi de 9%, e o ano acabou com 5.794 homicídios registrados no Estado, alta de 1,3% em relação a 2008. A taxa por cem mil habitantes ficou em estável em 34,6. "A meta estava muito ousada. Era um risco calculado", disse nesta segunda-feira, 8, o subsecretário de Segurança, Roberto Sá, durante a apresentação dos índices de criminalidade.

 

Para o primeiro semestre deste ano, houve uma alteração da meta para queda de homicídios, agora estabelecida em 6,33% na comparação com o mesmo período de 2009. Sá atribuiu a revisão a um planejamento da secretaria que prevê a manutenção desta meta pelo menos até 2014, ano de Copa no Brasil. Em junho, ao anunciar que cobraria metas na área de segurança pública, Cabral estabeleceu índices para quatro tipos de crimes considerados estratégicos pela secretaria.

 

Exceto no caso dos homicídios, as metas foram atingidas: no ano, houve redução de 10% dos roubos de veículos; queda de 6% dos latrocínios; e aumento de 2,2% dos chamados roubos de rua (de transeunte, de celular e em coletivo). O secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, atribuiu parte dos resultados positivos à instalação de seis Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) em favelas antes dominadas por traficantes. Reconheceu que há problemas, mas afirmou que a estrutura das polícias foi relegada a segundo plano durante muitos anos.

 

"Obviamente temos que dar mais capilaridade à polícia e ser mais ágeis nas investigações para antecipar ações criminosas. Muita coisa se fez, muita ação foi antecipada, mas temos que trabalhar cada vez mais, aumentar os efetivos. Não estamos preocupados com ações pirotécnicas", disse Beltrame. Policiais que trabalham em áreas onde metas foram alcançadas e aqueles bem colocados no ranking de pontos do Sistema de Metas e Acompanhamento de Resultados receberão uma premiação em dinheiro que varia de R$ 500 a R$ 1.500.

 

O índice que mais cresceu em 2009 foi o de roubo a residências (+11,3%). O total de armas apreendidas caiu 6,5% e o de prisões aumentou 22% em relação a 2008. Sobre a queda na apreensão de armas, Beltrame disse que o importante é a "qualidade" das armas. Segundo ele, foram apreendidos mais fuzis e granadas, mas o dado não foi divulgado isoladamente.

 

"Acabou o desfile de fuzil e de arma na cintura", declarou Roberto Sá, referindo-se às áreas onde foram instaladas UPPs, majoritariamente na zona sul da capital. No ano passado, policiais do Rio mataram oficialmente 1.048 pessoas em supostos confrontos, registrados como autos de resistência, uma redução de 7,8% em relação a 2008. A média é de 2,8 mortos por dia.

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