Rio Negro, em Manaus, volta a subir após três dias e atinge 29,45 m

Na quinta maior cheia da história, 31 municípios do Amazonas estão em situação de emergência e dois em estado de calamidade

Luciana Dias, Especial para o Estado

09 de junho de 2014 | 12h02

MANAUS - O nível do Rio Negro, em Manaus, voltou a subir, nesta segunda-feira, 9, depois de três dias estagnado. A cota atingiu a marca de 29,45 metros. Está é a quinta maior cheia da história, segundo o Serviço Geológico do Brasil, da Companhia de Recursos e Produção Mineral (CPRM). No Estado, mais de 40 mil famílias foram atingidas pela cheia dos rios amazônicos, 31 municípios estão em situação de emergência e dois em estado de calamidade. Para os turistas que visitarem a capital amazonense, durante a Copa do Mundo, a opção é passear pela floresta alagada.

Segundo o superintendente do Serviço Geológico do Brasil, Marco Antônio de Oliveira, a previsão é de que até a próxima semana o Rio Negro pare de subir. "Estamos no fim da cheia em Manaus. Tivemos um dos maiores registros dos últimos anos, mas sem graves ocorrências. Em março, no primeiro alerta de cheia, a estimativa era de que teríamos uma cheia variando entre 29,33 metros a 29,60 metros." 

A maior cheia foi registrada, em 2012, quando a cota do Rio Negro atingiu os 29,97 metros. Na sequência, está a cheia de 2009 (29,77 metros), 1953 (29,69 metros) e de 1976, quando houve o registro de 29,61 metros.

Bairros localizados na orla de Manaus foram atingidos, e os moradores têm driblado a subida dos rios fazendo assoalhos de madeira. No centro da cidade, as Ruas Barão de São Domingos e dos Barés foram interditas e acabam se tornando ponto turístico. Para transitar pelas vias, somente pelas pontes de madeira feitas pela Prefeitura de Manaus.

Situação no interior. No interior, os municípios de Parintins e Itacoatiara atingiram picos recordes de cheia, por causa da subida do Rio Madeira. "A diferença é que, nesses municípios, o curso do rio passa por entre as casas, então, essa água é mais limpa. Em Manaus, são 50 dias com uma água parada e muita das vezes suja", alertou Oliveira. Para isso, a Prefeitura de Manaus tem feito aplicação de produtos químicos para que a população não venha contrair algum tipo de doença.

O superintendente afirmou ainda que a cheia em Parintins não deve prejudicar o tradicional festival que acontece nos dias 27, 28 e 29 de junho. "Anualmente, o Festival de Parintins acontece no pico da cheia, o que é uma atração a mais aos turistas que encontram rio em seu estado pleno. Sem falar que podem passear por florestas alagadas até mesmo próximo à capital", acrescentou o superintendente.

Para amenizar a situação das famílias atingidas pelo fenômeno, o governo do Estado, através do Subcomando de Ações de Proteção e Defesa Civil (Subcomadec), já enviou 386 toneladas de alimentos, além de kits de ajuda humanitária, materiais de higiene, limpeza, medicamentos, colchões, serviço aeromédico e gás de cozinha.

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