Rio Negro sobe e alcança a maior cheia da história no Amazonas

Nível chegou à marca histórica de 29,69 metros na 4ª, e ultrapassou nesta quinta, chegando aos 29,71 metros

Liège Albuquerque, O Estado de S.Paulo, com Central de Notícias

25 de junho de 2009 | 13h22

O nível do Rio Negro, em Manaus, atingiu a marca de 29,71 metros nesta quinta-feira, 25, e registrou novo recorde histórico. De acordo com o Serviço Geológico Nacional (CPRM), na quarta, a água ultrapassou a marca dos 29,69 metros, e se igualou a maior cheia registrada na região desde 1953. A medição é realizada no Porto de Manaus desde 1902. "Enquanto o Rio Solimões estiver represando o Rio Negro, a tendência é de subida até o fim deste mês", disse o superintendente do CPRM no Amazonas, Marco Oliveira.

 

O funcionário do Porto de Manaus que mede há 30 anos o nível do Rio Negro, Valderino Pereira, passou o dia providenciando uma nova régua para a medição. "Certamente amanhã (hoje) o rio vai estar mais profundo e preciso urgente de nova régua", disse. A medição é cunhada em uma parede de ferro, como uma balsa no porto principal da capital.

 

Ainda segundo o órgão, nas últimas semanas, a cheia do rio vem trazendo problemas aos moradores de Manaus. O cenário no centro e nos bairros que beiram o Rio Negro é de casas e ruas alagadas. Em bairros como a Glória e São Raimundo, as palafitas já estão todas com novos assoalhos, as marombas, obrigando os moradores a entrarem em suas casas e andar de cócoras. Um shopping da cidade teve um de seus dois acessos completamente alagado por um igarapé que passa ao lado.

 

Um dos cartões postais da cidade, o calçadão da Ponta Negra, já virou piscina natural, com o rio invadindo a calçada. "Estamos adorando tomar banho de rio pisando no chão de piso, melhor que na areia", disse o estudante Ivo da Silva Olgário, de 12 anos, que tomava banho na "piscina" do calçadão com os dois irmãos na tarde de quarta.

 

A prefeitura informou que deve retirar mais de 1.500 moradores de bairros localizados nas bacias dos igarapés. "Eu me lembro que ia ao trabalho com água pelo joelho em 1953, mas acho o cenário de hoje mais desolador", disse o economista Gladstone Saraiva, de 75 anos. As famílias atingidas pela cheia do Rio Negro devem receber um auxílio em dinheiro, referente ao aluguel de outra moradia, por, no máximo, seis meses. Na quarta, a Defesa Civil distribuiu kits de madeira para os moradores erguerem os assoalhos de suas residências.

 

De acordo com os meteorologistas da Climatempo, nesta tarde, a previsão é de pancadas de chuva na capital do Amazonas. O ar está muito úmido na região e com o calor, nuvens carregadas voltam a crescer com facilidade sobre a cidade. Não há expectativa de mudança significativa no tempo para os próximos dias.

 

Na quarta, o governo estadual e a prefeitura começaram um plano emergencial para as áreas de alagamento. A preocupação da Secretaria Municipal de Saúde é com as doenças que devem chegar com a vazante, como leptospirose. Dos 62 municípios do Amazonas, a enchente atinge hoje 55, todos há dois meses com estado de emergência decretado.

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