Rio promete nova estratégia para combater o tráfico de drogas

O subsecretário de Segurança do Estado do Rio de Janeiro, coronel Lenine de Freitas, e o Chefe de Polícia Civil, delegado Álvaro Lins, anunciaram, hoje a adoção de uma nova estratégia no combate ao tráfico dos morros. Eles querem diminuir as ocupações nas comunidades e atuar diretamente nos pontos-de-venda de drogas, em lugar da chamada Operação Asfixia, na qual apenas bloqueiam as ruas de acesso às bocas-de-fumo. O secretário de Segurança Pública, coronel Josias Quintal, entretanto, afirmou que as ocupações, como as que aconteceram hoje na Mangueira e na Rocinha, continuarão sendo feitas."Está havendo uma mudança na estratégia do tráfico e nós estamos mudando também a estratégia do emprego do aparelho policial", afirmou o subsecretário. A incursão às bocas-de-fumo ficará por conta dos batalhões da PM, com o apoio de homens da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), da Polinter e Coordenadoria de Inteligência e Apoio Policial (Cinap), órgãos da Polícia Civil. De acordo com Álvaro Lins, todos os mandados de prisão contra pessoas da Rocinha e da Mangueira serão passados à PM.A polícia carioca prende quatro pessoas por hora, duas por envolvimento com o tráfico de drogas. O número foi fornecido hoje por Quintal. Se o dado estiver correto, significa que 48 pessoas são presas no Estado, diariamente, por tráfico. São 336 por semana, 1.440 por mês e 17.280 a cada ano. As 32 prisões do Estado abrigam 18 mil detentos. Segundo Quintal, 10 mil estão encarcerados por envolvimento com o tráfico de entorpecentes."A polícia tem 3 mil locais de venda de drogas catalogados. É uma investigação permanente. Prendemos 4 pessoas por hora, a metade por tráfico. Os presídios do Estado tem 10 mil pessoas presas por essa razão", afirmou o secretário. Ele disse que a solução para o problema "não virá da polícia" e citou o desemprego como um dos fatores que leva ao tráfico. "São 2,7 milhões de jovens sem perspectivas. Mais de 90% dos presos têm menos de 24 anos de idade", disse Quintal.Quintal disse que gostaria de assistir a reportagens sobre o consumo de drogas na elite da sociedade. Ele se referia à série de reportagens que vem sendo exibida pela TV Globo. Na segunda-feira, o telejornal mostrou imagens de venda de entorpecentes nas favelas da Mangueira e da Rocinha. Há 12 dias, foi a vez da Favela da Grota, no Complexo do Alemão."Gostaria de ver uma matéria como essa nos bons ambientes. Precisamos ver alguma reportagem mostrando o que acontece nas elites. Não é só o favelado que consome drogas. Ninguém desconhece isso", afirmou Quintal.Na década de 90, o então Chefe de Polícia Civil, delegado Hélio Luz, atualmente deputado estadual pelo PT, disse que "Ipanema brilha à noite", em referência ao consumo de cocaína em um dos bairros da classe alta carioca.O secretário continua esperando pela prisão dos traficantes identificados na primeira reportagem. "Estou aguardando a prisão deles. Dei prazo de 15 dias". O prazo se esgota na sexta-feira.

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