Rio quer 50% dos presos trabalhando até o final do ano

A Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos pretende fechar o ano de 2001 com 50% da população carcerária trabalhando, dentro ou fora das unidades prisionais. Atualmente, somente 3% dos cerca de 18 mil presos exercem algum ofício, segundo o secretário João Luiz Duboc Pinaud. Nesta quarta-feira, foi fechado um acordo com a Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae), que prevê a capacitação de 200 pessoas, entre detentos em regime semi-aberto e ex-presidiários, que serão contratados pelo órgão para trabalhar em obras de manutenção das redes de água e esgoto. O salário será de R$ 220. O secretário acredita que o programa - fruto de uma parceria da secretaria com o Departamento de Sistema Penitenciário (Desipe), a Fundação Santa Cabrini (que instala postos de trabalho nos presídios) e a Cedae - vai estimular a iniciativa privada a contratar presidiários e ex-detentos, que sofrem preconceito na hora de se candidatar a um emprego. De acordo com Pinaud, outros 1,5 mil presos deverão ser contratados pela Cedae nos próximos meses. "Não há qualquer exigência de escolaridade. Trata-se de mão de obra desqualificada que será capacitada em cursos pelos técnicos da companhia", explicou o secretário. O Desipe selecionará os candidatos com base na renda familiar (a preferência é dada aos mais carentes), no tempo de prisão (os que cumpriram pena maior são privilegiados) e no bom comportamento dentro da prisão. "Os contratados vão servir de exemplo para os demais presos. O objetivo maior é a ressocialização", disse Pinaud. A seleção, segundo Pinaud, será feita de acordo com as aptidões de cada um. Os selecionados - contratados temporariamente por um ano, podendo ser renovável, para carga horária de 40 horas semanais - vão realizar reparos nas redes da Cedae em bairros das zonas norte e oeste da cidade. Além do salário, os funcionários receberão vales-transporte e tíquetes-refeição. Eles serão beneficiados ainda com a remissão da pena - cada três dias de trabalho significam um a menos de reclusão.

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