Rio quer apoio para Jogos e batalha contra o tráfico

Sérgio Cabral Filho não conseguiu emplacar um ministro na gestão Dilma, mas aposta em continuar parceiro do novo governo

Alfredo Junqueira, O Estado de S.Paulo

31 de dezembro de 2010 | 00h00

Manutenção da parceria que fez do Rio o Estado que mais recebeu investimentos da União nos últimos anos e ampliação do auxílio federal em áreas-chave, como urbanização de favelas, segurança pública e projetos para a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016.

Essas são as principais expectativas do governo estadual em relação à administração Dilma Rousseff. Apesar de não ter conseguido emplacar nenhuma indicação para o ministério e ter sofrido desgaste ao anunciar seu secretário de Saúde, Sérgio Côrtes, como ministro, o governador reeleito Sérgio Cabral Filho (PMDB) aposta que Dilma vai, pelo menos, manter as parcerias estabelecidas durante o governo Lula. A tendência foi confirmada pelo próprio ex-presidente, que, em seus últimos compromissos no Estado, afirmou garantir que sua sucessora continuaria apoiando o Rio de Janeiro.

A falta de um interlocutor direto em Brasília não é considerada um problema para a cúpula do governo estadual, uma vez que o próprio Cabral e o seu vice, Luiz Fernando Pezão, que chegou a ser cotado para o Ministério das Cidades, têm bom trânsito com a nova presidente.

"Ela conhece todas as nossas angústias, sonhos e projetos. Participou de tudo o que construímos com o governo federal quando era ministra (da Casa Civil)", comentou Pezão, às vésperas da posse. "Acredito que isso vai fazer com que a parceria seja até ampliada", disse o vice-governador. Alguns dos projetos vitais para o Estado dependem muito do apoio federal. A segurança pública é o melhor e mais recente exemplo. A retomada no fim de novembro do Complexo da Alemão e da Vila Cruzeiro, comunidades carentes até então dominadas por traficantes de drogas, só foi possível depois que o governo federal determinou a participação das Forças Armadas na operação. As favelas estão ocupadas por homens do Exército - uma vez que as polícias militar e civil do Rio ainda não têm efetivo para controlar as áreas.

A União também precisará aportar recursos para o cumprimento dos acordos estabelecidos com o Comitê Olímpico Internacional (COI) para fazer da cidade do Rio de Janeiro sede dos Jogos de 2016.

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