Rio quer integrar polícias Militar e Civil e pagar bônus

Ideia é abonar entre R$ 500 e R$ 1,5 mil para policiais que cumprirem metas no trabalho em equipe

Clarissa Thomé, O Estado de S.Paulo

16 Fevereiro 2009 | 18h19

A Secretaria de Estado de Segurança quer integrar as polícias Civil e Militar. Serão construídos sete prédios no Estado onde PMs e policiais civis trabalharão juntos. Comandante e delegado serão os responsáveis por reduzir os índices de violência nessas regiões. Se cumprirem as metas, os policiais receberão abonos, entre R$ 500 e R$ 1.500. "Não tem nada a ver com unificação. As polícias têm preceitos constitucionais que devem cumprir, cada uma tem o seu papel - uma faz prevenção e outra faz repressão com descoberta de autoria e materialidade (produção de provas). As polícias são muito diferentes para unificar. O que a gente precisa é somar, integrar", afirma o subsecretário de Planejamento e Integração Operacional, Roberto Sá. Cada Região Integrada de Segurança Pública (Risp) terá sob sua responsabilidade batalhões e delegacias de bairros ou municípios. "Isso acaba com aquela discussão sobre crime que ocorre na divisa de duas delegacias ou dois batalhões. Os coordenadores da Risp é que terão de responder", afirma. Os prédios serão erguidos em sete pontos do Estado, ainda não definidos - dois na capital, Região Serrana, Região dos Lagos (incluindo Itaboraí, Niterói e São Gonçalo), Baixada Fluminense, Sul Fluminense e, a última, Norte e Noroeste Fluminense. Em cada uma das Risps trabalharão um delegado, um coronel e suas respectivas equipes. O prédio ainda está sendo desenhado por uma equipe de arquitetos. Com o projeto em mãos, a secretaria vai atrás de financiamento, já que não há previsão no orçamento para a construção das Risps. Em paralelo, está sendo fechado decreto que estabelece metas para crimes considerados prioritários - homicídio doloso, roubo de veículo e roubo de rua (ao pedestre, roubo de celular e roubo em transporte público). "Estamos propondo um sistema de premiação. Aqueles que se destacam mais, recebem valor um pouco acima. Aqueles que conseguirem a redução, recebem esse mínimo de R$ 500. Ainda faltam os estudos de impactos financeiros". Além de integrar as corporações, o governo se movimenta para devolver às ruas policiais cedidos a outros órgãos. Decreto assinado pelo governador Sérgio Cabral (PMDB) e publicado na quinta-feira determina que as instituições que requisitarem esses servidores terão de reembolsar o governo pelos valores gastos com salários e encargos sociais.  O atraso de dois meses no repasse desse reembolso obriga o policial a se reapresentar ao órgão de origem. Pelos cálculos da Secretaria de Estado de Segurança, há pelo menos 3 mil PMs cedidos, a um custo mensal para o governo de R$ 3,9 milhões. O déficit de policiais militares na região metropolitana é de 15 mil homens.

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