Rio registra o 1º semestre mais violento desde 1999

O primeiro semestre deste ano foi o mais violento desde 1999 no Estado do Rio. Foram registrados 3.570 homicídios de janeiro a junho de 2002, ante 3.109 em 2001, 3.187 em 2000 e 3.045 em 1999. Apesar disso, os últimos dados divulgados pela Secretaria de Segurança Pública mostram que a quantidade de homicídios diminuiu 17,2% em junho na comparação com maio. O mesmo ocorreu com todos os outros dezenove tipos de crime pesquisados. O semestre foi marcado pela mudança de governo - Benedita da Silva (PT) assumiu em abril, depois que o governaodor Anthony Garotinho (PSB) renunciou para concorrer à Presidência."O quadro do primeiro semestre é negativo, mas é preciso esperar para ver como isso evolui nos próximos meses. Mudança de governo cria instabilidade, que gera violência. Eu já imaginava que seria um ano difícil", disse o sociólogo Ignácio Cano, professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Segundo Cano, a queda da taxa de homicídios de maio (667) para junho (552) é uma "boa notícia". Ele, no entanto, ressalvou que a tendência precisa ser confirmada ao longo do ano. "A situação no Rio é tensa."O chefe de Polícia Civil, Zaqueu Teixeira, admitiu que houve alta neste ano na comparação com o mesmo período de 2001, mas disse que a tendência é que os índices continuem caindo no decorrer do ano. "Nós estamos num novo governo, num novo período, em que a gente pegou os índices na estratosfera. Nosso trabalho reduziu os números de maio em relação a abril, de junho em relação a maio e, tudo indica, de julho para junho." Segundo os dados divulgados nesta segunda-feira e disponíveis ao público pela internet, o número de roubo de veículos teve queda de 20,9% (de 3.210 em maio para 2.538 em junho) e o de roubo a estabelecimentos comerciais, de 16,9% (de 638 para 530). Os autos de resistência (número de pessoas mortas em confronto com a polícia) tiveram redução de 75 para 58 no mesmo período. O secretário Roberto Aguiar creditou os resultados ao replanejamento das ações das polícias Civil e Militar feito na gestão petista. Aguiar disse, no entanto, que não está satisfeito. "A gente nunca está satisfeito. Para mim, os índices estão sempre ruins. A nossa utopia é crime zero." Segundo Aguiar, o governo tem uma estratégia de combate à criminalidade a longo prazo que "está dando certo" e que precisa ser aperfeiçoada a cada dia.

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