Rio revive momentos de terror de 2002

A cidade do Rio reviveu nesta segunda-feira os momentos de terror do ano passado, quando, em três ocasiões, o crime organizado promoveu ações de intimidação e atentados a tiros a carros da polícia, delegacias e até contra a sede administrativa da Prefeitura do Rio e o Palácio Guanabara, onde funciona o governo do Estado.Os episódios anteriores aconteceram entre junho e outubro de 2002, na gestão de Benedita da Silva (PT). As ações acabaram batizadas pelas autoridades locais de ?narcoterroristas?, por estarem vinculadas a grupos de traficantes.Na primeira, na madrugada de 24 de junho, a sede da Prefeitura foi metralhada por 15 criminosos, em três carros. Cinqüenta e cinco janelas do prédio foram quebradas e 275 cápsulas de fuzil foram recolhidas ao redor do prédio. Duas granadas não chegaram a explodir e ninguém ficou ferido.Em 30 de setembro, traficantes do Comando Vermelho espalharam cartazes determinando o fechamento do comércio e ameaçaram pessoalmente lojistas de toda a região metropolitana. Pela primeira vez, a zona sul, até então imune a esse tipo de opressão, sentiu de perto a intimidação do tráfico, usual em regiões pobres. Escolas, bancos e repartições públicas baixaram as portas. Três ônibus foram incendiados, e um, depredado; 20% da frota foi tirada de circulação.Um prédio no centro foi evacuado por causa de uma falsa ameaça de bomba. Na Tijuca, duas bombas explodiram. Muitos suspenderam o expediente por causa de boatos de que os bandidos desceriam armados das favelas.Em 16 de outubro, outra demonstração de força teve objetivo determinado: resgatar presos em Bangu 3. Comboios jogaram uma granada em um shopping center da zona sul, atiraram no Palácio Guanabara, balearam três policiais em carros de patrulha e atiraram em uma delegacia no centro. Queriam confundir a polícia, enquanto outro bando tentava, com explosivos, fazer um buraco no muro do presídio para dar fuga a comparsas presos.Houve tiroteio e a segurança conseguiu frustrar a tentativa de resgate. Na véspera, três fuzis AR-15, duas granadas, cinco pistolas, dois revólveres, munição e cinco quilos de explosivos haviam sido apreendidos no presídio. A polícia informou que tinha conhecimento do plano dos traficantes, mas não sabia a data em que ocorreria.

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