Rio supera SP em nº de assassinatos

Índice paulista teve redução de 19,5% em 2007; considerando a população, ES lidera o ranking de homicídios

Renato Machado e Clarissa Thomé, O Estadao de S.Paulo

09 Outubro 2008 | 00h00

A segunda edição do Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública revelou que, pela primeira vez, o Estado do Rio ultrapassou o de São Paulo em números absolutos de homicídios dolosos (com intenção) - ocorreram 5.504 assassinatos em território fluminense, ante 4.877 em São Paulo, no ano passado. Em relação aos dados de 2006, São Paulo conseguiu reduzir esse tipo de crime em 19,5%, enquanto no Rio a queda foi de 3,6%.Quando o cálculo leva em conta o número de habitantes, o Rio ainda fica em segundo lugar no ranking de mortes, com 35 homicídios por 100 mil habitantes, atrás só do Espírito Santo, com uma taxa de 41,6 por 100 mil habitantes. A íntegra do Anuário, com números da segurança em cada Estado do País Como os Estados têm maneiras diferentes de organizar estatísticas, o levantamento divulgado ontem separou os crimes em homicídios dolosos, latrocínio (roubo seguido de morte) e lesões corporais seguidas de morte. No entanto, São Paulo já soma essa última categoria aos homicídios dolosos. Portanto, a diferença em relação ao Rio é ainda maior. Além disso, os fluminenses não classificam como homicídio as mortes em confronto com a polícia. Em relação à edição de 2007, a redução no número de homicídios dolosos também colocou São Paulo entre os melhores no índice, considerando o tamanho da população. Em 2006, houve 14,8 crimes desse tipo para cada 100 mil habitantes; no ano passado, o número caiu para 11,7. Dentre os Estados analisados no Anuário, somente Santa Catarina tem índice melhor - 10 por 100 mil. Segundo o coronel da reserva José Vicente da Silva, um dos pontos em que São Paulo se destaca é o trabalho integrado entre as Polícias Civil e Militar. "No Rio, não se compartilham dados." A Secretaria de Segurança do Rio, porém, rechaçou comparações entre os dois Estados. "A política de investimento em segurança do governo paulista vem se mantendo a mesma há cerca de 15 anos", respondeu o órgão, por meio de nota oficial. O texto destaca que "o primeiro semestre de 2008 apresentou o menor número de vítimas de homicídios dolosos em toda a série histórica, desde 1991". Especialistas ouvidos pelo Estado concordaram com a avaliação do governo. "O Rio adotou políticas, entre aspas, que foram sendo trocadas com instabilidade", diz o sociólogo Gláucio Soares, do Instituto Universitário de Pesquisas (Iuperj). Já o cientista político João Trajano Sento-Sé, coordenador do Laboratório de Análise da Violência da UERJ, defende a articulação com os municípios da região metropolitana como forma de combater a violência. NORDESTE E CENTRO-OESTE O terceiro Estado com maior número de homicídios dolosos é Pernambuco. Embora as informações do Anuário indiquem uma grande queda nos índices de criminalidade, os números desse Estado no banco de dados da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) apresentam falhas, uma vez que não se consideram os três últimos meses do ano. O Anuário indica uma redução de 31,2% nos homicídios dolosos - foram 4.305 em 2006 e 2.962 no ano seguinte. Mas a própria Secretaria de Segurança Pública do Estado trabalha com uma queda menor, de 2% no período. Só duas unidades da federação apresentaram aumento no número de homicídios: Distrito Federal e Mato Grosso. Paradoxalmente, o DF é a área melhor policiada, com índice de 156,1 policiais militares por habitante, enquanto São Paulo, por exemplo, tem 434,4 habitantes por policial militar. ENTENDA O ANUÁRIO Organizador: O Fórum Brasileiro de Segurança Pública é uma ONG criada em 2006 para oferecer dados e cooperação técnica na área da atividade policial e da gestão da segurança pública Pesquisa: A segunda edição do Anuário utiliza dados fornecidos pelos Estados à Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), do Ministério da Justiça. Por meio deles, são analisados a estrutura de segurança de cada unidade da federação, os investimentos no setor e os índices de criminalidade Quem foi pesquisado: O Anuário deste ano só trabalhou com informações de Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas, Pernambuco, Rio, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo Os demais Estados: Segundo o sociólogo Renato Lima, um dos coordenadores do levantamento: "Eles têm informações de baixa qualidade e não conseguem reunir dados de todos os municípios do interior. Portanto, chegaríamos a índices excelentes, mas sabemos que não são uma realidade"

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.