Rio tem 6 cidades em situação de emergência

Campos registra o maior volume de chuva em 40 anos; na Bahia, vendaval destruiu casas

Pedro Dantas e Tiago Décimo, O Estadao de S.Paulo

02 de dezembro de 2008 | 00h00

As chuvas que castigam Campos, no norte fluminense, desde a semana passada, obrigam moradores a alugar caminhões na tentativa de salvar objetos nas casas onde a água passou de 1 metro de altura. O volume de chuva na última semana foi o maior dos últimos 40 anos, segundo a Defesa Civil. A cidade já tem 5,5 mil desalojados e 2,45 mil desabrigados e há pelo menos 2 mil casas em áreas de risco. Em Rio Bonito, onde duas pessoas morreram soterradas na semana passada, mais de 1,3 mil moradores não voltaram para casa. No Estado, seis municípios decretaram situação de emergência. No fim da tarde, a água começou a invadir casas em outros distritos na entrada de Campos. "Ligamos para a Defesa Civil e eles informam apenas que vai chover mais ainda", disse a empregada doméstica Claudia Márcia Celestino, de 31 anos, moradora do Distrito de Viana. Ela e os vizinhos alugaram ontem um caminhão. "Já trabalhei muito na vida. Não merecia isso", lamentou a avó de Cláudia, Geni, de 78, que tentava salvar a foto de seu casamento, que boiava na casa alagada. A Secretaria de Promoção Social informou que o número de atingidos pode chegar a 10 mil. Ontem, a Defesa Civil alertava sobre a possibilidade de pancadas de chuva à noite e bloqueou o tráfego de veículos pesados na ponte sobre o Rio Ururaí, que corria o risco de desabamento. Não houve mortes.Em Ururaí, as 26 famílias abrigadas na Escola-Creche Luiz Gonzaga e as 19 na Escola Municipal João Borges foram retiradas por barcos, por causa da enchente e do risco de contaminação. "A situação é crítica", admitiu o comandante da Defesa Civil Municipal de Campos, Henrique Oliveira.BAHIAUm forte vendaval, seguido de pancadas de chuva que caem desde a noite de anteontem, danificou 90% das construções de Coração de Maria (BA), cidade de 10 mil habitantes. A própria sede da administração municipal teve parte dos telhados arrancada - e muitos documentos importantes passaram a madrugada de ontem sob chuva. A ocorrência mais grave foi o desabamento de parte do teto de uma casa, que atingiu quatro pessoas. Nenhuma corre risco de morte, mas Inácia Santos, de 40 anos, teve de ser submetida a duas cirurgias, por causa de fraturas, e segue internada.

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