ALEXANDRE DURÃO/CÓDIGO 19
ALEXANDRE DURÃO/CÓDIGO 19

Rio tem confusão em bloco da Ludmilla; cortejo é cancelado em SP

PM usou bombas de gás e alegou necessidade de ‘controlar multidão’ no Fervo da Lud, que atraiu 1,2 milhão de pessoas

Constança Rezende, O Estado de S.Paulo

05 de março de 2019 | 21h44

RIO - O carnaval de rua do Rio levou cerca de 1,5 milhão de foliões às ruas ontem, segundo a Riotur. Mas o que chamou a atenção foi a violência no maior bloco, o Fervo da Lud, comandado pela cantora Ludmilla. O desfile terminou mais cedo após uma confusão generalizada deixar um preso e três policiais feridos. Pelo menos 229 pessoas foram atendidas em postos médicos e hospitais. No Fervo da Lud, o público chegou a 1,2 milhão de pessoas.

A confusão começou no fim da apresentação da cantora, ainda pela manhã. Policiais usaram bombas de gás lacrimogêneo, o que provocou correria do público pelas ruas transversais da Avenida Antonio Carlos, onde ocorria o desfile. Por causa da confusão, a PM pediu que o bloco interrompesse a música. Mesmo sem som, houve mais brigas e os policiais lançaram mais bombas de gás.

Segundo a Riotur, dois postos médicos instalados no centro atenderam 217 foliões, a maioria com “cortes ou traumas diversos” ou intoxicados “por álcool/drogas ou gás”. Outras 12 pessoas procuraram diretamente o Hospital Municipal Souza Aguiar, no Centro. Não houve feridos com gravidade. 

A cantora lamentou o episódio em suas redes sociais. “Há 2 anos criei o Fervo da Lud com isso em mente: levar alegria e diversão ao maior numero de pessoas. E hoje, lamentavelmente, isso não foi possível. Fomos interrompidos e estou profundamente triste por ter presenciado tamanha agressividade ao próximo”, escreveu.

A Riotur voltou a defender a alteração das regras para autorizar os desfiles dos blocos no carnaval deste ano, o que teria evitado “consequências mais sérias”. A prefeitura irritou organizadores dos blocos ao publicar, em janeiro, uma portaria com exigências consideradas descabidas por eles. A principal mudança foi exigir que, em vez de apenas informar os desfiles à PM, os blocos conseguissem uma autorização prévia. Alguns batalhões da PM concederam os documentos, enquanto outros negaram. A falta de padronização revoltou os organizadores de cortejos.

Com isso, os desfiles autorizados caíram de 608 em 2018 para 498 neste ano. A Riotur informou que começará o “ciclo de planejamento” para 2020 na próxima semana. “Reafirmamos os pilares segurança-financiamento-democracia desta gestão”, diz a nota do órgão.

Berrini. Em São Paulo, foi cancelado o bloco Meu Glorioso São Cristóvão, que aconteceria na Avenida Engenheiro Luis Carlos Berrini, no bairro do Brooklin, zona sul de São Paulo. O cortejo estava programado para começar às 14 horas. “O bloco está cancelado, parece que simplesmente não conseguiram entrar em contato com o trio elétrico”, disse um membro da organização, sem dar mais detalhes. A Berrini estava com a estrutura montada e esquema de interdição e policiamento. A tristeza foi maior para os ambulantes, que deixaram o local por volta das 13h30. / COLABOROU VINICIUS PASSARELLI, ESPECIAL PARA O ESTADO

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