Rio tentará ser patrimônio da humanidade com proposta inédita

Na busca ao título da Unesco, cidade será apresentada como local onde urbanização agrega valor à natureza

Talita Figueiredo, O Estado de S. Paulo

11 de dezembro de 2009 | 18h14

O Rio apresenta em janeiro sua candidatura a patrimônio da humanidade da Unesco na categoria paisagem cultural. A cidade tem uma proposta inédita: é focada na avaliação da relação do homem com a natureza. Normalmente são consideradas apenas áreas de natureza, como a Chapada dos Veadeiros (GO), ou conjuntos de centros históricos, como Outro Preto (MG). Para o presidente do Iphan, Luiz Fernando de Almeida, há cidades que tem algo diferente: uma excepcional beleza natural onde a urbanização agrega ainda mais valor.

 

"Alguém imagina o Corcovado sem o Cristo Redentor, a praia de Copacabana sem o calçadão? São singularidades da relação do homem com o meio e isso tem que ser valorizado. Atualmente, os europeus só consideram paisagem cultural as áreas rurais, mas ano passado o comitê decidiu que um grupo de especialistas iria propor a inclusão de áreas urbanas", disse Almeida.

 

As reuniões aconteceram durante toda a semana no Iphan, no centro do Rio. Segundo o presidente do órgão, já há um consenso para que as áreas urbanas sejam incluídas na categoria, mas a decisão final acontece apenas no meio do ano que vem, na reunião anual da Unesco.

 

O dossiê propõe um sítio de preservação de 64.098 quilômetros quadrados dividido em dois setores. O primeiro incorpora a montanha, a floresta e o jardim e é formado pelo Parque Nacional da Tijuca e pelo Jardim Botânico. O segundo engloba a entrada da Baía de Guanabara e as chamadas "bordas d' água desenhadas", que inclui a proteção paisagística dos fortes na entrada da Baía e a orla de Copacabana com seus pontões rochosos até a ponta do Arpoador e ainda o parque do Flamengo. O Iphan pede ainda a proteção de uma área de 22.920 quilômetros quadrados de área de amortecimento, uma região necessária à proteção do sítio.

 

Não é a primeira vez que o Rio tenta se candidatar. Em 1999 o Ministério do Meio Ambiente começou a uma campanha que foi lançada em 2003 na categoria patrimônio misto , que não foi aceita. Na ocasião o comitê da Unesco sugeriu que a cidade fosse inscrita em outra categoria. No ano passado teve início a produção do dossiê que será apresentado em janeiro.

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