Rio terá 28 mil policiais nas ruas no dia das eleições

A Secretaria de Segurança Pública do Estado montou um esquema especial para coibir a eventual repetição de problemas como o de ontem no domingo, dia das eleições. Depois de insinuar que teria havido motivação política no fechamento de lojas e escolas, o governo está preocupado com a possibilidade de novos boatos ou ameaças coagirem eleitores a não sair de casa no próximo dia 6. "Já temos todos os planos prontos para diversas situações diferentes, e estamos prevenidos para qualquer situação", afirmou o secretário Roberto Aguiar, que disse estar mobilizando toda a sua equipe de Inteligência. "O que está em jogo é a democracia."A Polícia Militar pretende colocar nas ruas 28 mil homens no dia das eleições. "Eu não tenho a prepotência de achar que essa questão da segurança é uma questão de governo. É uma questão de Estado, e vou acionar todos os mecanismos e instrumentos necessários para proteger a população", declarou a governadora Benedita da Silva (PT).Hoje ela convocou os chefes dos Poderes Legislativo e Judiciário para uma reunião, em que afirmou que não vai "titubear se necessário for para a defesa da segurança da população acionar outros instrumentos de ordem federal para ajudar o Estado". A governadora disse, porém, que a estratégia do governo não será revelada - ela não confirmou se solicitará a envio de forças federais para garantir a tranqüilidade das eleições."Se nós chegarmos à conclusão de que as forças estaduais são insuficientes, a própria governadora já fez entendimentos com o presidente da República para solicitar o reforço no momento que a apreciação das circunstâncias determinar. Não vamos minimizar nem exagerar a situação", disse o presidente do Tribunal de Justiça, Marcus Faver. Benedita afirmou que a prisão de criminosos - segundo ela foram 60 chefões e 1.700 traficantes em cinco meses - pode estar gerando reação. "Queremos evitar que a voz de comando não seja a do Estado de direito. Entendemos que o boato foi danoso porque gerou apavoramento, medo e tensão nas pessoas: é uma questão que não podemos escamotear, existe medo e vamos dar combate a esse medo com informação."O comércio abriu normalmente hoje, após um dia de medo gerado por ameaças supostamente de traficantes. "O momento é delicado, de tranqüilizar a população, mostrar que estamos dialogando", disse Benedita, que cobrou ação mais efetiva da guarda municipal e ressaltou que instituições públicas fechadas ontem não solicitaram ajuda da polícia. A governadora foi aplaudida por cerca de 350 pessoas na entrada e na saída da Assembléia Legislativa do Rio (Alerj). "O governo agiu com rapidez e energia. O Legislativo se mostra solidário no combate ao terror. Não podemos ficar coagidos por boatos e ameaças.", disse o presidente da Alerj, Sérgio Cabral Filho (PMDB).Dia calmoO secretário da Segurança fez uma análise inusitada sobre a situação vivida pela população. "Apesar de tudo, o dia não poderia ter sido mais calmo do ponto de vista criminal. Não digo de sensação de segurança, claro." Segundo ele, ontem foi o dia criminalmente mais calmo dos últimos cinco meses. "O que mostra a absoluta desconexão entre os boatos e o real. Caíram os homicídios, roubos, assaltos e lesões corporais. Houve um conjunto de ondas urdidas, seja por pessoas ligadas ao tráfico, seja por malucos, seja por gente que tenta se aproveitar politicamente."Ele disse que a polícia investiga todas as hipóteses. A versão de que a ordem teria partido do traficante Fernandinho Beira-Mar, diz, não é a mais forte, em razão do seu isolamento.Segundo Aguiar, toda a equipe de inteligência da secretaria está nas ruas para prevenir a repetição dos fatos de ontem e investigar as origens das ameaças e boatos que levaram os comerciantes a fecharem as portas em praticamente toda a cidade. Alguns dos presos por ameaçar lojistas afirmaram ter recebido ligações em telefones públicos em favelas. A quebra do sigilo desses aparelhos deve ser pedida pelos investigadores, a fim de identificar os autores das ordens. Entre as 11 medidas emergenciais adotadas na noite de ontem para combater o medo generalizado, estão a prontidão de todas as unidades das polícias e do Corpo de Bombeiros, a intensificação das patrulhas ostensivas e o apoio da guarda municipal. "Só queremos que a guarda cumpra a sua obrigação, porque ontem eles desapareceram", atacou Aguiar.Uma reunião com representantes do comércio estabeleceu ontem um canal direto com a secretaria. Denúncias do setor terão prioridade de apuração e atendimento e integrantes da Fecomércio passarão a participar do Conselho de Segurança, que define políticas específicas para a área. Será formada ainda uma comissão temática que realizará estudos sobre criminalidade.PTPara o presidente estadual do PT, Gilberto Palmares, o "cheiro de armação para desestabilizar o governo" deve fortalecer a candidatura petista. "O clima nas ruas é o sentimento de certa indignação. A população está tendendo a respaldar a atuação do governo na área de segurança e a possibilidade de ir para o segundo turno hoje é maior do que ontem. O crime organizado está atingido frontalmente pela política de segurança da Benedita e está reagindo. O tiro vai sair pela culatra."

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