Rio testa detector de metais em ônibus por 30 dias

Aparelho, conectado à internet, também corta ignição do veículo e o localiza por meio de GPS

Pedro Dantas, RIO, O Estadao de S.Paulo

11 de janeiro de 2008 | 00h00

O Departamento de Transportes Rodoviários do Rio (Detro-RJ) testará por 30 dias alguns equipamentos acoplados a detectores de metal na frota intermunicipal de ônibus. O presidente do Detro-RJ, Rogério Onofre de Oliveira, anunciou que, se a experiência for aprovada, tornará o aparelho obrigatório, um mês após a publicação de um decreto. "É um equipamento dentro das normas internacionais, que, ao detectar metal acima do volume permitido, começa a gravar o áudio dentro do veículo e avisa, via internet, a empresa, que pode acionar o bloqueio do combustível e da ignição, disparar alarme e luzes, localizar o veículo por GPS e acionar a polícia. O motorista não ficará responsável por nada", explicou. Segundo o presidente do Detro-RJ, o aparelho, inventado por um engenheiro de Santa Rita do Sapucaí, em Minas, custará cerca de R$ 1,5 mil por veículo. "É um aparelho de boa tecnologia e baixo custo. Para fazer o monitoramento, basta um computador na empresa conectado em banda larga." A Federação dos Sindicatos das Empresas de Ônibus (Fetranspor) reagiu com cautela à obrigatoriedade dos detectores de metais. "Vamos ver primeiro se funciona e como a população reagirá. É preciso cautela na parte financeira. Com a queda no número de passageiros, muitas empresas estão quebradas ou em situação deficitária. Não é só a instalação que terá custo, mas a manutenção e o treinamento dos funcionários", diz o diretor de Comunicação Social da Fetranspor, João Augusto Monteiro. "Aplaudimos a iniciativa, mas alertamos que não temos margem financeira para fazer isto", completa o superintendente do Sindicato das Empresas de Transporte Rodoviário, Márcio Barbosa. Segundo ele, as viações intermunicipais do Grande Rio emitem cerca de 200 comunicações de assalto a ônibus para a polícia mensalmente, instalaram câmeras e fizeram parceria com o Disque-Denúncia para tentar diminuir os roubos. "Mas o responsável por uma queda no transporte de passageiros é o transporte ilegal, que influenciou muito mais do que a violência. O assalto prejudica a imagem do nosso sistema. Ninguém esquece o caso do ônibus 174", lembrou Barbosa, referindo-se à tentativa de assalto que terminou com a morte de uma refém e do assaltante, em junho de 2000. Especialista em estratégia militar, o diretor do Núcleo de Estudos Estratégicos da Universidade Federal Fluminense (UFF), Ronaldo Leão, considerou a idéia "fruto do desespero". "Nada contra o detector de metais, mas nada adianta se não tiver uma autoridade. Caso contrário, o criminoso assalta, vai embora e o ônibus fica parado" afirmou. Ele ironizou os últimos projetos de segurança anunciados. "Uma hora dizem que vão proibir a garupa da moto e agora aparecem com o detector de metais nos ônibus. As autoridades não querem admitir o óbvio: não há polícia."

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