Rios do AM formam imenso ''mar'' de água doce

Ainda não foi atingido o recorde de nível dos rios no Amazonas, mas vários deles, pelo volume, já se juntaram, formando um imenso mar de água doce entre Manaus e o sul do Estado. A cada chuva novas áreas são alagadas. Não havia praticamente terra firme ontem ao longo dos 123 quilômetros que separam a capital da cidade de Nova Olinda do Norte. As águas do Rio Amazonas se confundem com as de lagos como o Curucuru e do Sampaio. No povoado Careiro da Várzea, só se veem os tetos das casas. Estradas rurais estão interditadas. Vilas ribeirinhas e fazendas estão ilhadas. O gado que ainda não foi removido se espreme no topo de morretes. As palafitas, construídas fora do alcance das cheias, foram atingidas. No Estado, mais de 100 mil pessoas ficaram desabrigadas.Em Nova Olinda do Norte, com 30 mil habitantes, o Rio Madeira está 3,5 metros acima da borda e inunda parte da cidade. O ancoradouro de barcos desapareceu. As águas cobrem a região ribeirinha e vão parar na escadaria da Igreja de Nossa Senhora de Nazaré. Os bairros Santa Luiza e Santa Ana são os mais atingidos. O desempregado Juciley Nogueira Reis conta que sua casa entortou com a força da água. "Não dá para voltar lá." Ele está no abrigo com a mulher e dois filhos pequenos. As doenças proliferam. Só neste ano, segundo a secretária da Saúde, Rosemary Brasil, a cidade teve confirmados 146 casos de malária, três vezes mais que no mesmo período de 2008. Uma equipe da Força Aérea Brasileira com quatro médicos e um dentista atendia ontem a população local.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.