Riotur: faltou exuberância no réveillon

A chegada de 2002 em Copacabana, no Rio,foi uma das mais tranqüilas dos últimos anos, mas também uma dasmenos animadas. O céu estava estrelado e a lua cheia - aprimeira que apareceu num réveillon em muitos anos - deu o ar dagraça a noite inteira, contrariando as previsões pessimistas dameteorologia, segundo as quais choveria até granizo, mas oespetáculo de fogos deixou a desejar. O presidente da Riotur,José Eduardo Guinle, fez um mea culpa e resumiu o que foi apassagem de ano em Copacabana: "Faltou exuberância." Cerca de 1,6 milhão de moradores e turistas, segundo aRiotur, organizadora da festa, se espalhou pelos quatro quilômetrosda praia, mas houve espaço para todo mundo. A queima de fogos deartifício, que causou a morte de uma pessoa e feriu outras 49 em2001, aconteceu em balsas ancoradas a 300 metros da areia. Foisegura, mas dividiu o público. Quem ficou nas extremidades,próximo ao Forte de Copacabana ou no Leme, achou o espetáculopobre e ensaiou uma vaia. A trilha sonora produzida porReginaldo Bessa, com músicas clássicas de sucesso (a óperaCarmina Burana e o Bolero de Ravel) e hits brasileiros(Aquarela do Brasil e Cidade Maravilhosa), não chegouaos extremos da praia. "No ano passado, a gente ficou com medoporque os fogos estouraram muito perto, mas foi maisemocionante", disse Rosilene Guerrer, que vem de São Paulotodos os anos passar o ano-novo no Rio. No meio da praia, em frente às balsas, o espetáculo foiconsiderado deslumbrante. Francisco Lovisi Travassos e StellaTortorielo, que vieram de Minas Gerais pela primeira vez paraver os fogos, adoraram tudo. "É completamente diferente de tudoo que já vi, tanto no céu quanto as pessoas que ficam na rua,como se fosse uma turma só", disse ele. "Eu pensava que eraperigoso, mas não vi nada que desse medo. Volto no ano quevem." Guinle reconheceu que o show será melhor com mais balsascom fogos espalhadas ao longo da praia. "Quatro é muito pouco; ano que vem, teremos pelo menosseis para todos verem o espetáculo de perto", prometeu. "Acascata do Hotel Le Méridien, que foi suspensa este ano, tambémpode ser reavaliada, apesar de o hotel ter contornado aproibição com uma bela cascata de papel picado." A segurança ea infra-estrutura foram os itens que funcionaram melhor. Nos sete postos médicos espalhados pela praia, houve 440atendimentos, mas apenas 16 pessoas foram removidas. Osbanheiros químicos, embora distribuídos por toda orla, foraminsuficientes e as filas eram quilométricas. Se a chegada, a partir das 16 horas de ontem, foicomplicada por causa do grande engarrafamento em Copacabana enos bairros vizinhos (especialmente Ipanema e Botafogo), a voltafoi tranqüila. Pela primeira vez, não houve filas quilométricas nometrô após a meia-noite, os ônibus não estavam lotados, otrânsito fluía e sobravam táxis cobrando a tarifa normal. Até a limpeza da praia funcionou a contento. Poucodepois de o sol nascer, por volta das 6 horas de hoje, umbatalhão de 1.100 garis da Companhia de Limpeza Urbana (Comlurb)tirou 300 toneladas de lixo da praia, entre garrafas de bebida,latas e oferendas a Iemanjá. As homenagens à divindade atraíram ainda"garimpeiros". Eles chegam na madrugada para tentar resgatardo mar objetos valiosos ofertados à rainha do mar. O pioneiro naatividade é Ribeiro Mariano, de 50 anos, que há 24 fazexplorações em Copacabana, depois do réveillon. Hoje pela manhã,ele havia recuperado uma nota de US$ 100 e um cordão de ouro."Tem de entender de maré para ser garimpeiro profissional.Daqui a cinco dias, o que não for recuperado hoje, vai aparecerno Recreio dos Bandeirantes", ensinou. Mariano descumpriu hoje o principal mandamento: o dechegar cedo, ainda de madrugada. "Bebi demais; só cheguei às 6horas", queixou-se. O discípulo dele, Léo de Souza, de 27 anos,garimpava desde as 2 horas, munido de máscara de mergulho.Conseguiu angariar 140 reais, dois relógios e um cordão deouro. Pouco depois das 10 horas, quando garis e garimpeirosencerraram os trabalhos, os primeiros banhistas de 2002encontraram a areia limpa e um belo dia de sol. Piscinão - A festa de réveillon no Piscinão de Ramos, nazona norte, também ficou aquém do esperado. A queima de fogos,prevista para durar 15 minutos, teve apenas dez de duração.Somente um terço do público estimado (80 mil participantes)compareceu. O ministro da Cultura, Francisco Weffort, estavaentre os visitantes do local. Ele elogiou a criação da área delazer, fora da zona sul. Bebê - O primeiro carioca de 2002 foi preguiçoso. Omenino, que pesa 2,670 quilos e tem 47 centímetros de altura,nasceu à 1h10, de parto normal, na Maternidade HerculanoPinheiro, em Madureira. Ele é o segundo filho de Cláudia VianaNeves, de 22 anos, e nasceu apenas dois minutos antes de outromenino, cujo parto foi feito na Maternidade Alexander Flemming.Cláudia ainda não escolheu o nome do filho. Foi a primeira vez,nos últimos dez anos, que o primeiro nascimento do ano não foiregistrado logo após a meia-noite.

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