Risco de desabamento na obra do Metrô durou até terça-feira

Quando as equipes de resgate começaram a trabalhar na cratera do Metrô em Pinheiros, na zona oeste de São Paulo, poucos ali faziam idéia de que até pelo menos terça-feira, 16, quatro dias após a tragédia, havia o risco iminente de haver outro desabamento de proporções parecidas com o que abriu o buraco. Monitorados pelo comando da operação o tempo inteiro, bombeiros, engenheiros, operários, todos corriam risco de morrer.O problema, conta o engenheiro Márcio Pellegrini, que coordenou a operação pelo Consórcio Via Amarela, era o barranco que sustentava o estacionamento externo ao Edifício Passarelli. O risco agravou-se com as escavações para retirar o corpo de Abigail Rossi de Azevedo, primeira vítima a sair da cratera, na segunda-feira, 15."Desde sábado, o barranco vinha instável. Por volta das 13 horas de segunda-feira, percebemos o deslocamento de 30 milímetros", conta Pellegrini. No auge da tensão, o engenheiro assumiu a responsabilidade de paralisar o trabalho dos bombeiros, sob os protestos emocionados dos parentes das vítimas, acomodados em um acampamento da Transcooper no que restou da Rua Capri. A decisão foi anunciada horas depois de ter sido tomada e foi debatida até por integrantes do governo."Eu sabia que seria atacado por todos, mas era preciso. Chegamos ao fim da operação contabilizando apenas um engenheiro ferido levemente e isso é uma vitória muito importante. Jamais me perdoaria se tivesse acontecido algo pior", diz.Experiência, nessa operação, contou menos do que a persistência e uma certa dose de heroísmo. Quem garante é o experiente coronel Jair Paca de Lima, de 58 anos, que comandou a Defesa Civil. "A diferença desta vez foi o risco constante e uma quase certeza de que ninguém seria encontrado vivo", conta Paca.AmpulhetaO comandante metropolitano do Corpo de Bombeiros, João dos Santos de Souza, de 52 anos, recorda os momentos difíceis da sua equipe dentro do túnel da Rua Ferreira de Araújo: "Além do risco na superfície, dentro, havia o efeito rolha. Era como se estivéssemos na parte debaixo de uma ampulheta que ficou entalada pela van".Domingo, 14, pouco antes da visita do governador José Serra (PSDB) ao túnel, bombeiros e engenheiros enfrentaram duas avalanches de terra. Uma delas chegou a atingir o operário que cuidava da escavadeira usada no local e o tenente bombeiro Pedro Ferreira da Cunha Neto, de 30 anos. "Foi um susto. A terra chegou a arrastar a escavadeira por cerca de 15 metros", recorda-se Cunha Neto. O tenente, como muitos, entre soldados e operários da Via Amarela, passou a semana inteira no buraco, além do seu horário, voluntariamente.

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