Tasso Marcelo/AE
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Ritmo acelerado de prisões no Alemão preocupa autoridades do Rio

Carceragens da Polícia Civil estão superlotadas; até o dia 2, ao menos 145 pessoas foram presas

Pedro Dantas, O Estado de S. Paulo

08 de dezembro de 2010 | 19h00

RIO - O ritmo acelerado das prisões após as ocupações dos complexos do Alemão e da Penha, na zona norte do Rio, preocupa as autoridades do Rio. O motivo é a superlotação das carceragens da Polícia Civil. Até o dia 2, pelo menos 145 pessoas tinham sido presas, entre traficantes foragidos dos conjuntos de favelas e pessoas que participaram dos ataques contra carros e ônibus. Entre os presos, 16 adolescentes e sete mulheres. Das 24 pessoas detidas em flagrante incendiando veículos, dez eram menores de idade. Entre os adolescentes presos, a maioria morava nas favelas do Alemão e da Penha.

 

O deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL) alerta que as carceragens da Polinter (Divisão de Capturas da Polícia do Rio) estão superlotadas e que o Estado não construiu nenhuma Casa de Custódia desde 2005. "A Polícia Civil abriga em suas carceragens 4 mil presos, alguns deles em locais sem água potável e luz natural. O Governo do Estado não constrói casa de custódia, mas, paradoxalmente, o discurso é de ocupar território e capturar criminosos", disse o deputado. Ele já integrou o Conselho Comunitário da Pastoral Carcerária e inspirou o personagem que negocia com os presos no filme Tropa de Elite 2.

 

Segundo Freixo, a carceragem de Neves, em São Gonçalo (Região Metropolitana), está com 500 presos, mas sua lotação é para 150 detentos. Ele afirma que um dos motivos para a superlotação é a falta de vagas no sistema carcerário para os presos já condenados, que começam a cumprir pena nas celas da Polícia Civil. "Constitucionalmente, a polícia nem tem o papel de abrigar detentos", ressaltou o deputado.

 

A Assembleia Legislativa do Rio aprovou na terça-feira um projeto que autoriza benefícios fiscais aos municípios que construam casas de custódia. Procurado, o coordenador do sistema de controle de presos da Polinter, o delegado Clei Catão, não quis se manifestar.

 

Prisões. As últimas prisões, desde a noite de terça-feira, foram de um acusado de lavar o dinheiro do tráfico, um cabo da Marinha, um taxista e um foragido da Vila Cruzeiro. Ontem, a Polícia Civil prendeu Tiago Augusto dos Santos Igreja, o Tiaguinho do Complexo, que é acusado de lavar o dinheiro do traficante Fabiano Atanázio, o FB, da Vila Cruzeiro. Ele foi detido na sua cobertura, em um condomínio de classe média, em Vargem Grande, na zona oeste da cidade. Nesta região, ele era proprietário de uma imobiliária e de um apartamento no Recreio dos Bandeirantes.

 

O acusado tinha passagens na polícia por sequestro e receptação de carros roubados. Agentes da Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas prenderam na Vila Cruzeiro um cabo da Marinha acusado de ser ligado a traficantes do Morro do Cajueiro. O nome dele não foi revelado.

 

André Carvalho da Silva, de 31 anos, que estava foragido da Vila Cruzeiro foi identificado e preso por policias militares quando estava em um táxi na Avenida Brasil. O taxista Fabrício Alves de Almeida, de 21, também foi preso ontem. Ele transportava drogas da Região dos Lagos para o Complexo do Alemão.

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