Rivais dividem palanque em favela

Entrega de conjunto habitacional em Paraisópolis, com investimentos de três esferas de poder, reúne Lula, Goldman e Kassab

Malu Delgado, O Estado de S.Paulo

01 de setembro de 2010 | 00h00

Ao contrário dos duelos verbais e estatísticos travados pelos candidatos à Presidência que apoiam, o presidente Lula (PT), o governador Alberto Goldman (PSDB) e o prefeito Gilberto Kassab (DEM) foram obrigados a reconhecer ontem, pela força da circunstância, que projetos de urbanização e saneamento de favelas contam com investimentos das três esferas de poder.

Lado a lado, os três participaram da inauguração de 240 mil apartamentos do novo conjunto habitacional da Favela Paraisópolis, feita no escopo do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), com recursos da União, do Estado e do município. Ainda que a evidência e as placas mostrassem a ação conjunta, os discursos de representantes dos governos federal e estadual transformaram-se num verdadeiro duelo de números. O único que se recusou a ler o discurso e a falar em valores de investimentos feitos por cada governo foi o presidente Lula.

"Eu não vou utilizar o tempo para ler o meu discurso porque já foram utilizados todos os números possíveis de serem utilizados aqui", afirmou o presidente, patrocinador da candidatura da petista Dilma Rousseff.

Kassab, que pegou o microfone em meio a um misto de palmas e vaias, fez um discurso relâmpago de quatro minutos e iniciou pedindo palmas para "Lula e Goldman", para abafar qualquer constrangimento. "Sessenta mil moradores em favelas estão sendo atendidos em São Paulo", afirmou o prefeito, detalhando em seguida o número de escolas, unidades de saúde, entre outras construídas.

O ministro das Cidades, Márcio Fortes, e a presidente da Caixa Econômica Federal, Maria Fernanda Ramos Coelho, enalteceram as ações do governo federal. "Até o fim do ano, todos os dias, podemos entregar chaves de novas casas", disse Maria Fernanda Coelho. "O PAC é um programa que tem o coração do presidente Lula", emendou em seguida o ministro.

Ao discursar, coube a Goldman, que endossa a candidatura do tucano José Serra, fazer a defesa dos investimentos do governo do Estado. Segundo ele, dos R$ 529 milhões investidos em Paraisópolis, "R$ 388 milhões são da prefeitura e do governo de São Paulo e R$ 140 milhões do governo federal". "É assim que se trabalha em conjunto", afirmou. O governador, que sucedeu a Serra em abril, seguiu citando um sem-número de valores de investimentos em outras regiões do Estado, sempre fazendo referência a contratos e obras em periferias. "Vamos regularizar as áreas onde a população está vivendo", bradou.

Puxadinhos. Lula relembrou os tempos em que morou com a primeira-dama Marisa Letícia "num apartamento de 33 metros quadrados" e dos "puxadinhos" feitos assim que a família foi aumentando. Segundo ele, a população e as associações de bairro passarão a ficar cada vez mais exigentes e reivindicarão gradualmente seus direitos. "Quanto mais for feito, mais vocês vão aprendendo a querer mais."

Muito aplaudido, Lula afirmou que "os pobres são tão brasileiros quanto qualquer outro brasileiro". O presidente, que doou seu terno da posse de 2003 para leilão com intuito de arrecadar fundos para um projeto de alfabetização da comunidade de Paraisópolis, foi homenageado com um grafite, com o desenho dele com a faixa presidencial ao lado de Marisa, vestida de vermelho. O terno foi leiloado por R$ 4 milhões.

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