Rivais fogem de rótulo de 'privatista'

No debate, Serra responsabilizou Dilma pela entrega da exploração do petróleo a 108 empresas; petista disse que PSDB queria privatizar pré-sal

Daniel Bramatti, O Estado de S.Paulo

27 Outubro 2010 | 00h00

Tanto Dilma Rousseff (PT) quanto José Serra (PSDB) se utilizaram do debate de anteontem na TV Record para tentar mostrar o adversário como "privatista" em relação às reservas brasileiras de petróleo.

Foi Serra quem tomou a iniciativa de introduzir o assunto no debate. Ele afirmou que a adversária seria responsável pela "entrega" da exploração de petróleo para 108 empresas privadas, metade delas estrangeiras.

"Se isso é privatizar, o que ela mais fez foi privatizar petróleo", disse o tucano. Foi uma referência às acusações, feitas pelo PT, de que o PSDB teria como projeto "privatizar" o pré-sal por defender a manutenção do modelo de concessões para empresas interessadas em explorar as novas reservas de óleo descobertas na costa do País.

Dilma e o PT afirmam que o modelo de concessões - no qual as áreas para exploração são leiloadas e os vencedores ficam com o petróleo que eventualmente encontrarem - não é adequado para o pré-sal, pois após as descobertas da Petrobrás praticamente não haveria risco exploratório.

O governo aprovou uma mudança na lei - sem apoio do PSDB - para estabelecer o modelo de partilha, no qual a União fica com parte do petróleo extraído e a Petrobrás é a operadora oficial dos poços.

Dilma acusou Serra de procurar confundir os eleitores ao tratar da mesma forma as reservas antigas, exploradas pelo sistema de concessão, e as novas, sujeitas ao modelo de partilha.

"Privatizar o pré-sal é um absurdo e vocês querem fazer isso sim. Seu partido votou contra o modelo de partilha. O senhor não tem coragem de assumir sua posição e fala que não se influencia pelo outros, então o senhor está no partido errado, porque o partido vota contra a garantia de que a Petrobrás será a exploradora do pré-sal", afirmou a petista. "Eles estão querendo privatizar o filé mignon. A carne de pescoço é o que existia antes. Agora estão querendo entregar o filé mignon do País."

Loteamento. Serra negou ter compromisso com o modelo de concessões para o pré-sal e defendeu o fortalecimento da Petrobrás. Ele acusou o PT de ter promovido o loteamento político da empresa.

"O Collor de Mello, que foi presidente do Brasil deposto por corrupção, inclusive naquela época com entusiasmo do PT, hoje apoia Dilma fanaticamente e comanda as operações da BR Distribuidora. O que eu quero fazer é reestatizar a Petrobrás, fortalecê-la para ela não servir a partidos, grupos, patotas e aliados deste tipo", afirmou o tucano.

O debate sobre o petróleo se estendeu tanto que o termo "Petrobrás" acabou sendo um dos mais falados pelos dois candidatos (veja quadro abaixo).

O tema corrupção também teve destaque. Dilma e Serra se acusaram mutuamente de mentir e acobertar irregularidades.

O tucano procurou relacionar a adversária ao suposto tráfico de influência promovido pela ex-ministra Erenice Guerra na Casa Civil. "Ela teve como braço direito uma mulher que montou um esquema amplo de corrupção e está respondendo por isso. Além do mais, a Erenice foi a mulher que a Dilma deixou para ocupar o lugar dela".

A candidata petista, por sua vez, procurou relacionar o rival a Paulo Vieira de Souza, ex-diretor da Dersa (estatal paulista do setor rodoviário) e conhecido como Paulo Preto. Segundo a revista IstoÉ, tucanos acusaram Paulo Preto de recolher recursos para a campanha de Serra e de não repassá-los para os cofres do PSDB.

"Quando ele ameaça, vocês recuam", afirmou Dilma, em referência ao fato de Serra, em um primeiro momento, negar conhecer Paulo Preto, e a seguir sair em sua defesa.

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