Rivais sem dinheiro nem ânimo

Vinte quatro horas antes do périplo de Roseana pelo interior do Maranhão, o deputado Flávio Dino, candidato do PC do B ao governo, chega esbaforido e suando em bicas em seu comitê eleitoral, coberto com telhas de amianto, no centro histórico de São Luís. Uma foto da presidenciável Dilma Rousseff (PT) enfeita a fachada do prédio, única referência do apoio da petista à sua candidatura.

, O Estado de S.Paulo

29 de agosto de 2010 | 00h00

"Eles (família Sarney) têm muito poder econômico e fazem uma campanha coronelista", acusou Flávio Dino, na terça-feira, minutos antes de sair acompanhado de uma bandinha de música desafinada, em caminhada pelas ruas de um bairro pobre de São Luís. De camisa polo listrada, calça de sarja bege e tênis branco, Dino pega crianças no colo, entra na casa de possíveis eleitores, abraça e beija mulheres. Meia dúzia de correligionários o acompanha.

No carro de som, um locutor se encarregava em dar a biografia de Flávio Dino: ex-juiz, professor, deputado federal, casado, pai de dois filhos. O material de campanha é praticamente inexistente. Dino só aparece quando pega "carona" no santinho de algum candidato mais abonado de sua coligação (PC do B/PSB/PPS). "É a campanha do tostão contra o milhão", diz o ex-governador José Reinaldo, candidato do PSB ao Senado.

Flávio Dino disputa com Roseana o uso da imagem de Dilma e de Lula em sua campanha. Mas ao contrário da peemedebista, o comunista conseguiu até agora mostrar apenas imagens antigas de Dilma, num comício de 2008, época em que Dino foi candidato à Prefeitura de São Luís. "O Lula tem lado e o lado de Lula é Flávio Dino", diz Dilma, ainda sem a imagem repaginada.

Já era noite da mesma terça-feira, dia 24, quando o governador cassado e candidato ao governo do Maranhão do PDT, Jackson Lago, começou sua peroração numa espécie de quintal a céu aberto na sede do partido, num bairro no centro de São Luís. De blusa social azul, com as mangas arregaçadas, e calça jeans frouxa, Lago tenta imprimir ânimo a uma centena de militantes. Ele próprio distribuiu o parco material de campanha, composto de uma bandeira e um pacote com cartazes. Nenhum com a foto do presidenciável tucano José Serra, teoricamente apoiado por Lago.

"Apoio o Serra sim. Mas só agora vamos começar a fazer os cartazes", explica o ex-governador. "Ela (Roseana) se vale do Lula para se eleger", atesta, para lembrar que, no passado, Lula foi seu aliado.

Eleito em 2006 para governar o Maranhão, Lago teve o mandado cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em abril do ano passado, por compra de votos. Em seu discurso, ele acusa a Justiça Eleitoral de "num golpe judicial, castrar a vontade do povo maranhense", que o elegeu há quatro anos com mais de 1,5 milhão de votos. Adversário histórico da família Sarney, Lago diz que sua candidatura é uma luta "contra as elites, contra os poderosos, contra uma oligarquia que domina o Maranhão há 40 anos".

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