Rivalidade com Ouro Preto se acentua

Mariana desbanca vizinha e lidera ranking de preservação no Estado

O Estadao de S.Paulo

10 de novembro de 2007 | 00h00

A determinação de Mariana em se auto-afirmar como monumento histórico acabou por fazer recrudescer uma certa rivalidade cultivada com a vizinha e mais famosa Ouro Preto. A divulgação recente de um relatório parcial do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha) sobre os municípios de Minas que mais investiram na preservação do patrimônio, encabeçado por Mariana, causou desconforto entre as autoridades políticas da antiga Vila Rica. No ranking, Ouro Preto apareceu apenas em 12º lugar e de pronto a prefeitura questionou a pontuação recebida, reivindicando a disputa pelo primeiro lugar. O levantamento do Iepha leva em conta os investimentos das administrações na preservação do patrimônio histórico, artístico e cultural das cidades. E serve de base para o repasse do ICMS Cultural, que corresponde a 1% da arrecadação total do imposto destinado aos municípios - cerca de R$ 50 milhões ao ano. Quanto mais investimentos, maior será a fatia de repasse. Dos 853 municípios, 663 se inscreveram para dividir o bolo do ICMS Cultural. "Para Ouro Preto, não é muito legal ver a sua cidade numa condição inferior às cidades que não são monumento mundial", alfinetou o prefeito de Mariana, Celso Cota . Ele acredita no engajamento da população local para a conquista do título da Unesco, ao contrário do que ocorreu com Ouro Preto em 1980. Na época, diante da inquestionável importância do conjunto barroco, o reconhecimento foi alcançado sem que fosse necessária uma mobilização popular, como ocorreu em Diamantina. "Em Mariana estamos buscando o modelo de Diamantina."Mas para o entalhador José Geraldo Gamarano, de 54 anos, que passou a adolescência guiando turistas entre os monumentos da cidade, a campanha deve ficar mesmo restrita às autoridades, ao meio cultural e a uma pequena parcela da população. "A maioria não tem sensibilidade artística", destaca Gamarano. Recém-nomeado arcebispo da cidade mineira, d. Geraldo Lyrio Rocha, presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), se entusiasma com a idéia. "Essa pretensão é mais do que justa", disse."Grande parte da memória de Minas se concentra em Mariana. A primeira vila, a primeira cidade, o berço do Estado". RIQUEZASAlém do repasse estadual do ICMS, os investimentos no patrimônio em Mariana estão sendo feitos em parceria com o Programa Monumenta, financiado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e com recursos próprios. Lélio Pedrosa Mendes, chefe do Departamento de Preservação do Patrimônio Cultural da cidade, lembra que a arrecadação municipal cresceu nos últimos anos por causa da grande demanda internacional - principalmente chinesa - pelo minério de ferro (duas grandes mineradoras atuam na cidade).

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