RJ reforça segurança em hospitais públicos

O Estado do Rio anuncia, na próxima quarta-feira, um plano emergencial para aumentar a segurança nos hospitais da rede pública, que têm sido alvo constante de assaltos e resgate de bandidos. Hoje, um dia depois de seis assaltantes disfarçados de médicos terem assaltado funcionários de um hospital do Instituto Nacional do Câncer (Inca), o secretário estadual de Segurança Pública, Roberto Aguiar, reuniu-se com representantes do Sindicato dos Médicos e das secretarias de Saúde, Justiça e Direitos Humanos para discutir quais medidas deverão ser tomadas.Segundo Aguiar, iniciativas como uma maior integração entre os profissionais das áreas de saúde e segurança podem ser implementadas rapidamente, a fim de diminuir os casos de violência nos hospitais. Já questões mais complexas como a divisão de tarefas entre policiais militares que patrulham as unidades e os vigilantes de empresas privadas terão de passar por discussões mais amplas. Por sugestão do Sindicato dos Médicos, será realizado um seminário com o tema "Violência e Saúde", para que se abra o debate.O presidente do sindicato, Jorge Darze, disse que as principais causas dos episódios violentos são o pouco policiamento nos hospitais que tratam de bandidos e a permanência, além do necessário, desses criminosos na rede pública. "Eles põem em risco a vida dos profissionais de saúde e dos outros pacientes, e devem ser transferidos para os hospitais do Sistema Penitenciário assim que acabar o risco de vida", afirmou Darze. Normalmente, há apenas um policial militar para vigiar todo o hospital, mesmo que haja mais de um bandido sob tratamento. O superintendente de Saúde da Secretaria de Direitos Humanos, Edson Biondi, contestou a informação do sindicato. "Em 90% dos casos, o pós-operatório é realizado nos hospitais do Sistema Penitenciário."AparelhosO sistema dispõe de sete hospitais e 32 ambulatórios, mas, de acordo com o médico, nem todos têm equipamentos suficientes para receber os bandidos. "O melhor deles é o Hospital Central da Frei Caneca e, mesmo lá, o Centro de Tratamento Intensivo está em obras." Segundo Darze, nessas unidades há um déficit de pessoal de 300 pessoas. O resultado é que os criminosos acabam permanecendo por muito tempo nos hospitais públicos, mais bem aparelhados, e, eventualmente, são resgatados por bandos armados que invadem as unidades. "Os profissionais de saúde trabalham sob tensão, não sabem se vão conseguir terminar o plantão vivos".Além das invasões, os assaltos a caixas eletrônicos também assustam. Na madrugada de quarta-feira, vigias, enfermeiros e a recepcionista do Hospital Mathilda Rodrigues Von Dollinger da Graça, do Inca, localizado na zona norte do Rio, foram roubados por seis assaltantes que usavam roupas de médico. Eles tentaram arrombar o caixa eletrônico do Banco do Brasil que funciona no hospital e, como não conseguiram, resolveram levar radiotransmissores, celulares e dinheiro dos funcionários. As vítimas ficaram trancadas num banheiro por cerca de quatro horas.

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