RJ suspende médico que mandou grávida pegar ônibus

Se denúncia de negligência for comprovada, médico será demitido, promete o prefeito Eduardo Paes

Alexandre Rodrigues, da Agência Estado,

05 Julho 2009 | 16h57

A Secretaria Municipal de Saúde do Rio informou que ter identificado o obstetra que estava de plantão no Hospital Municipal Miguel Couto na última quinta-feira, 2, e que foi acusado de negligência no atendimento a gestantes em situação de emergência. O nome não foi divulgado, mas a secretaria informou que ele ficará suspenso até o fim da sindicância aberta para apurar o caso.

 

O médico plantonista do maior hospital da zona sul teria mandado uma grávida, com sinais de descolamento prematuro de placenta, ir de ônibus a uma maternidade na zona norte. Com uma caneta, rabiscou no braço dela o nome da Maternidade Fernando Magalhães, em São Cristóvão, e os números 476 e 460, referentes às linhas de ônibus que ela deveria tomar. O prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB) prometeu demitir o médico, se a denúncia for comprovada.

 

Manuela Costa, de 29 anos, chegou à maternidade por contra própria e foi submetida a uma cesariana de emergência, mas o bebê nasceu morto. Ela permanece internada na unidade, mas seu estado de saúde é bom. Outras duas mulheres também foram "marcadas" à caneta para se dirigirem sozinhas à maternidade, mas não tiveram complicações nos partos e foram liberadas.

 

Segundo a secretaria, o funcionário ficará afastado de suas funções até o fim da sindicância, que tem prazo de três semanas. Até agora, a secretaria não encontrou indícios de participação de outros funcionários. O caso está sendo acompanhado pelo Sindicato dos Médicos e pelo Conselho Regional de Medicina (Cremerj).

 

Para o vereador Carlos Eduardo (PSB), presidente da Comissão de Saúde da Câmara dos Vereadores, o episódio revela a precariedade do atendimento na rede municipal. Ele quer denunciar o caso ao Ministério Público.

 

"Não há problema algum no Miguel Couto que justificasse aquela atitude desrespeitosa de um profissional, que não pode simplesmente receber uma grávida e anotar no braço dela o número de uma linha de ônibus para que ela possa ir para outra maternidade, sem dar a ela a atenção necessária e devida", disse o prefeito Eduardo Paes, que pediu rigor na investigação interna.

 

"Vamos apurar os fatos e punir de maneira muito firme. Caso seja confirmado o ocorrido, o profissional será demitido."

 

O secretário municipal de Saúde, Hans Dohman, disse ter ficado indignado com a conduta do médico, que seria "totalmente fora dos padrões" recomendados. Segundo ele, a paciente, que apresentava sangramento, deveria ter sido removida para a maternidade de ambulância.

 

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